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25 outubro 2013

Jovem busca tratamento há 2 anos para doença rara que afeta perna.

Uma jovem de Santa Clara do Sul, município de 5,7 mil habitantes na região do Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, tenta há mais de dois anos conseguir tratamento para uma doença rara no sistema público de saúde. Paula Eckhardt, de 23 anos, é portadora da síndrome de Klippel-Trénaunay-Weber, ainda considerada incurável pela medicina, mas que pode ser controlada.
“Os médicos disseram que uma doença muito rara, que altera as ramificações das veias e artérias”, conta ao G1 a jovem, que ainda não conseguiu tratamento para seu caso.
Desde que nasceu, ela convive com a enfermidade, que no caso dela afeta a perna direita, 2,75 centímetros maior e mais pesada que a esquerda, em função da hipertrofia. Durante anos, ela buscou tratamento para a doença, mas esbarrou na falta de especialistas habilitados e de recursos financeiros.
Segundo o relato da jovem, aos 14 anos de idade ela pediu para a família desistir de procurar tratamento, depois de percorrer vários hospitais e clínicas no Rio Grande do Sul e até de outros estados. Em 2011, no entanto, a doença começou a se agravar e ela decidiu buscar ajuda novamente.
Paula Eckhardt doença rara santa clara do sul (Foto: Arquivo Pessoal)
Paula diz que especialista de São Paulo é um dos

únicos do país a ter sucesso no tratamento

da doença (Foto: Arquivo Pessoal)
“Foi uma longa caminhada, até que acabei me aceitando assim. Mas com os problemas na coluna se agravando e as feridas abrindo na minha perna, tive que retornar à busca”, explica a jovem, que sofre de dores na região lombar em função da doença.
No fim de 2011, após uma consulta com um médico em Porto Alegre,  foi encaminhada para um profissional em São Paulo, especialista no tratamento dessa doença. A consulta foi feita em fevereiro de 2013 e resultou em um prognóstico de tratamento positivo. A maior dificuldade para Paula seria cobrir os custos do tratamento.
“Só o exame necessário para iniciar é R$ 17 mil. Depois há despesas com o restante o tratamento, o que é incerto, além das viagens e estadia em São Paulo. Minha família não tem condições de cobrir esses custos”, diz a jovem, que trabalha em um hospital deLajeado.  
Paula então procurou a Secretaria de Saúde de Santa Clara do Sul. Ele conta que apresentou diversos laudos médicos e todos os documentos solicitados pelo órgão, mas nunca obteve resposta sobre a possibilidade de tratamento. Ela diz que, em uma das visitas, ouviu da secretária que o município, de pequeno porte, não teria condições de arcar com os custos.
Alguns meses depois, o caso foi repassado à 6ª Coordenadoria Regional de Saúde (6ª CRS), vinculada à secretaria estadual, com sede em Lajeado. Em junho, ele diz que foi informada pelo órgão que seria encaminhada para tratamento no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, mas até agora nada foi feito.
“Cheguei a fazer uma rifa do meu carro, mas o ganhador não quis ficar com ele e acabei vendendo. Com isso, só consegui dinheiro para custear o exame inicial, mas não o restante do tratamento em São Paulo”, lamenta a jovem.
Procurada pelo G1, a secretária de Saúde de Santa Clara do Sul, Iara Cristina Kohlrausch, diz que o caso de Paula é de alta complexidade e compete ao estado fazer o tratamento. Ela afirma que um processo foi aberto junto à Secretaria Estadual de Saúde.
“Semanalmente, entro em contato com o central para ver com está essa situação. Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance. Se dependesse de nós, essa paciente já teria feito tratamento há muito tempo”, diz Iara.
O coordenador da 6ª CRS, José Harry Saraiva Dias, diz que Paula foi cadastrada na Central Estadual de Regulação Ambulatorial, responsável pelo gerenciamento dos procedimentos agendados pelo SUS no estado, em 16 de abril de 2012. Ele salienta que ela deverá ser atendida em um hospital-escola do estado, habilitado para esse tipo de tratamento.


"Essa paciente está cadastrada com prioridade um, a mais alta. Infelizmente, ainda não há oferta de tratamento para o caso dela. Ela pode achar que está desamparada por causa da demora, mas o caso está sendo encaminhado", afirma Dias.
Para saber como ajudar, basta enviar um e-mail para a jovem pelo endereço: eckhardt.paula@hotmail.com

06 junho 2013

Paralisia cerebral de filho leva mãe às ruas por R$ 6 mil para cadeira de roda.

UNS PEDEM ESMOLAS OUTROS PEDEM AJUDAS E VOCÊ, O QUE FAZ ?





Menino precisa também de andador e de uma órtese para a mão direita.

Kauan Margutti mora em São Carlos e sofre com o problema há 4 anos.

Fabio RodriguesDo G1 São Carlos e Araraquara
Pamela Trevisan Margutti faz campanha nos semáforos da cidade (Foto: Fabio Rodrigues/G1)Pamela Trevisan Margutti faz campanha nos semáforos da região central cidade (Foto: Fabio Rodrigues/G1)
Mais uma mãe de São Carlos (SP) recorre às ruas da cidade para pedir ajuda devido a um problema de saúde do filho. Desta vez, a operadora de caixa Pamela Trevisan Margutti realiza uma campanha nos semáforos com o objetivo de arrecadar R$ 6 mil para comprar três equipamentos para Kauan de Jesus Margutti Santana, de 4 anos, que sofre de paralisia cerebral desde o nascimento. O menino precisa de uma cadeira de rodas, um andador e uma órtese para a mão direita. A ação de Pamela lembra a de outras duas mães que fizeram o mesmo no município em busca de recursos.

Pamela, que iniciou o movimento por meio das redes sociais, conta com a ajuda de familiares e amigos da loja de calçados em que trabalha para atuar no pedágio solidário. Na noite de quarta-feira (5), eles arrecadaram R$ 1,1 mil. Na terça-feira (4), a ação rendeu R$ 1 mil e na segunda (3), quando começaram, conseguiram R$ 900. “Com fé em Deus a gente vai conseguir. A população sãocarlense é solícita e ajuda muito”, disse a mãe ao G1.

Segundo ela, o problema do filho se deve a complicações durante o parto, realizado em abril de 2009 na cidade. A criança teve dificuldades para nascer e precisou ser retirada com um fórceps.
Kauan, de 4 anos (Foto: Pamela Trevisan Margutti/Arquivo pessoal )Kauan, de 4 anos, é o único filho de Pamela e Paulo
(Foto: Pamela Trevisan Margutti/Arquivo pessoal )
“Não quiseram fazer cesárea, disseram que não havia necessidade porque eu tinha dilatação normal. Kauan não reagia e, após ser reanimado, começou a chorar sem parar. Ele ficou mais de 15 dias entubado na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e lá diagnosticaram que ele estava com clavícula quebrada”, lembrou a mãe.

Após ter alta, o menino foi acompanhado por pediatras de São Carlos, mas os pais perceberam que a criança fazia um movimento involuntário nos olhos. Ao consultarem um neurologista, descobriram que o filho tinha paralisia cerebral. Desde então, Kauan faz tratamento com um pediatra ortopedista de Bauru (SP). Apesar da situação, a mãe disse que o esforço compensa. “Ele é muito alegre, contente com tudo, é difícil estar de cara feia. É filho único e o xodó em casa”.

Gastos
Moradora da Vila Prado, Pamela disse que faz o que pode para manter o bem-estar do filho, mas não é fácil. Com uma renda mensal de R$ 980, ela gasta cerca de R$ 600 com a criança. Kauan toma medicação controlada devido às leves convulsões. Ele também utiliza muitas fraldas e realiza a cada seis meses, em média, aplicações de botox nas pernas para impedir o atrofiamento dos músculos.

“O plano de saúde cobre essa aplicações, mas não as consultas e cada vez que precisa é mais R$ 450. Ainda há gastos com gasolina e pedágios no deslocamento até Bauru”, relatou a mãe, que conta com a ajuda do marido para cuidar do filho. Operador de máquinas, Paulo Daniel Moraes precisou deixar o emprego para dar uma atenção especial à criança.

De acordo com os pais, o andador facilitará para que as aplicações de botox tenham um melhor efeito. “Ele precisa ficar ao menos umas três horas em pé e a cadeira é para carregarmos ele, porque já não estamos aguentando o peso no braço. Vai ajudar muito na locomoção”, declarou Pamela.
Familiares e amigos realizam o pedágio solidários nos semaforos da região central (Foto: Fabio Rodrigues/G1)Familiares e amigos realizam o pedágio solidários na região central da cidade (Foto: Fabio Rodrigues/G1)


Outros casos
Em fevereiro deste ano, a família da aposentada Maria Beatriz Mecca também foi às ruas em busca de recursos para trazer de volta ao Brasil o professor de educação física Renato Mecca, de 33 anos, que ficou quase um mês internado em um hospital de Cingapura após sofrer um acidente de moto na Indonésia.

O custo para a transferência da Ásia para o Brasil era de  R$ 270 mil, o equivalente a US$ 170 mil de Cingapura. O valor da diária na UTI era de US$ 2 mil (cerca de R$ 3 mil). As despesas da passagem no valor de R$ 119 mil foram pagas pelo governo brasileiro. Com o dinheiro arrecadado na campanha, cerca de R$ 110 mil, o professor retornou ao país e segue internado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP).
Em setembro do ano passado, Gislaine Clara Boni iniciou uma campanha para conseguir R$ 120 mil de uma operação para a filha. A menina Caliane Boni Roque da Silva, na época com 10 anos, não conseguia se alimentar pela boca desde que nasceu, somente com o uso de duas bombas infusoras.

Gislaine arrecadou cerca de R$ 50 mil e uma liminar na Justiça obrigou o plano de saúde a custear o tratamento. O dinheiro da campanha continua em uma conta para ser usado em operações plásticas. Após 12 procedimentos cirúrgicos em 11 anos e oito meses de internação no Hospital Sírio Libanês, na capital paulista, Caliane comeu sem a ajuda de sonda pela primeira vez e pôde voltar para casa.

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