29 de abr de 2019

Gorete costurando.

Cada pessoa tem um potencial e a capacidade de fazer coisas que outros não tem, simplesmente pelo fato do individuo ter ou não deficiência não significa que pode ou não pode desenvolver determinadas atividades, nunca podemos julgar as pessoas sem antes conhecer de verdade as suas habilidades, neste vídeo a Gorete, que é uma pessoa com deficiência visual esta costurando uma peça de roupa, coisa que muitos outros que enxergam não seriam capazes independentemente do motivo, vejam e se inscrevam em nosso canal para que possamos fazer nossas mensagens irem muito mais longe.

28 de abr de 2019

E pra namorar, como fica?



        São inúmeros os esforços computados, as pautas, nos quais a luta pela inclusão é localizada. Seja qual for o enfoque, o ponto de vista privilegiado, haverá sempre uma carência enorme, um universo a ser preenchido, para a mínima realização dos nossos objetivos.
Por lidarmos com a falta, o abandono, nas situações mais básicas e elementares, o foco da nossa militância costuma ser abrangente . A solução para o que nos sangra depende sempre de um todo, espécie de ser indeterminado, que poderia ser um governo, um Estado com a preocupação de nos atender, de forma justa .
 Ao nos depararmos com um buraco, no meio de uma calçada, temos por instinto, pensamento imediato, apenas desviar, para garantir proteção. Não nos ocorre que o poder público, alguma iniciativa possa, de imediato, reparar aquela situação.
Por que, de certa maneira, os problemas a nos atingirem, ocorrem pela reconhecida falta de estrutura, planejamento do governo brasileiro a cumprir as suas funções mais elementares.
Circulação nas cidades falha, perspectiva de inclusão profissional prejudicada, por um mercado a nos olhar com distanciamento, incredulidade. Absoluta falta nos dispositivos culturais, nos cinemas, exposições em disponibilizar acesso universal. Com certeza, você pensou em outros itens, para continuar essa lista . Mas e pra namorar, como fica?
Numa sociedade a privilegiar o culto ao corpo, a estabelecer padrões insustentáveis de beleza, não ficaria uma pessoa com deficiência  em desvantagem, frente as possibilidades de paquera, encontros românticos a acontecerem, conforme o passar do tempo?
Saímos em condições diferentes, adversas, de uma pessoa comum, com certeza. Primeiro, pela falta de condições em desfrutarmos das festas, dos shows, numa forma razoável, tranquila e aprazível. Dificilmente, em tais momentos haverá uma acessibilidade mínima, aceitável, para podermos paquerar.
Nas noites, o olhar dirigido a alguém com deficiência costuma variar, muito. Vai de uma estranheza abusiva, um deboche total, a um sincero sorriso de admiração, não raro vindo por um pensamento: ’’caramba, no meio de tanta gente, num lugar cheio , difícil de circular, o cara vem aqui e se diverte?”.
É bastante complicado chegarmos num lugar assim, numa boate, sendo a única pessoa com deficiência presente ao recinto. A princípio, dá vergonha, inibição. Somos observados com um ímpeto julgador acima do normal, do razoável. Porém, o que pesa mais? O olhar de estranhos, ou a específica vontade sua, de conhecer outras pessoas, se divertir?
Lidar com uma deficiência é um processo de negociação interna constante. Implica em aceitar-se como diferente, assumir os ônus disso com uma sinceridade crua. E no final de tudo,talvez, tal recurso não seja de todo ruim. 
Fazer das suas peculiaridades uma assinatura, um jeito de se impor, frente a uma sociedade padronizada. Em dado momento, você não refuta tanto o que o torna diferente dos outros.
A coragem necessária para um cadeirante atravessar a rua não se assemelha, nem tem a ver, com o impulso tido ao iniciarmos um relacionamento. É menor, exige menos do que o despojamento em querer prosseguir, num namoro. Dar vazão e status de compromisso, para um flerte iniciado.
Perdi muitas chances de amar no exercício salgado, punitivo, incerto, de querer poupar a fulana das dificuldades, os entraves comuns a alguém na minha condição...Mas a mulher já não havia me escolhido? De certa forma, ter concedido, por um momento, a chance de percorrermos juntos os dissabores e alegrias de um possível ensaio de história?
Não sei, não foi dada a nenhuma delas essa chance de prosseguir.
Creio que dentre todas as dificuldades impostas pelo mundo, o meio a nos cercar, a maior seja a de nos aceitar . Maior coragem, sem dúvida, é a de apesar de tudo, com toda injustiça de oportunidades oferecidas, as condições desfavoráveis, ainda elegermos o amor como busca.
Com quarenta anos, solteiro, sem filhos, com os filtros da sensibilidade, da percepção, em plena atividade, eu quero crer cada vez nessa estrada do afeto. Apesar de muitas vezes a existência nos jogar pra baixo, com impedimentos, impossibilidades de êxito, nas construções de vida mais rudimentares.
Por que se não fugimos dos castigos impostos por algumas leis, nunca sairemos impunes, da palavra de certos poetas.
E Carlos Drummond de Andrade nos ensinou que: ‘’amar só se aprende amando’’.
Um abraço para todos,
André Nóbrega.



24 de abr de 2019

Juiz Federal, Roberto Wanderley Nogueira, concorda com o decreto de redefinição estrutural do CONADE e outros conselhos.

O Juiz federal Roberto Wanderlei Nogueira, ativista resiliente e defensor dos direitos das pessoas com deficiência se manifestou em mensagem no FaceBook sobre o Decreto Federal nº 9.759/2019, assinado pelo Presidente Jair Bolsonaro, que Extingue e estabelece diretrizes, regras e limitações para colegiados da administração pública federal.
Muitas pessoas entenderam que com a publicação do decreto o CONADE ( Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência ) seria extinto, o que não aconteceu, nesta semana em que publicamos este post o conselho se reúne de segunda a sexta e até elegeu o seu novo presidente.

A seguir o post do Excelentíssimo Juiz:

"Amigos, Há Secretarias, Diretorias e Coordenadorias em âmbito ministerial que se ocupam de todas essas pautas. O que não era possível é o inchaço administrativo com custos inconcebíveis e perfeitamente dispensáveis de modo a atingir os mesmos resultados. O atual governo está empenhado em racionalizar a administração pública. Nenhum direito foi ou será atingido. Só mudou o balcão. Afinal, qual o problema na extinção do CONADE, por exemplo? A paridade lá observada, com alguma mexida, pode ser incorporada à Administração Direta com amplas vantagens de custeio e novos investimentos. E será. O que vai acabar é o excesso de viagens, diárias, hospedagens etc. Tudo isso agrava o déficit público, mas jamais representou desenvolvimento de amplas conquistas para as causas associadas às políticas públicas estabelecidas e/ou em construção.
O país marcha para a completa extinção da chamada "indústria da deficiência" e da ditadura do "politicamente correto", seja lá o que isso signifique. 

O que importa é que o Estado funcione efetivamente, produza resultados no que lhe cumpre atender e garanta a realização de direitos para todos, sem acepção de ninguém ou classe social alguma.

Bem vindo o Decreto Federal nº 9.759/2019!"



23 de abr de 2019

Por uma união pró-causa, para além das denominações de coxinhas e mortadelas



Urge, em meio ao tintilar de notícias urgentes, calamitosas, por deporem contra os poucos direitos por nós conseguidos, uma reflexão.
O próximo passo, a reação consequente diante do momento, será um teste para todos nós. Cederemos a revolta, a cólera pura e simples, enquanto conquistas são suspensas?
Sem a chance de defesa, para exercer o contraditório, reparar uma injustiça histórica, bárbara, demolidora de prerrogativas essenciais, para a constituição da nossa luta, não teria talvez sangue, nem chance para escrever esse artigo. A arbitrariedade feita pelo governo atual, ao propor a extinção do CONADE, nocautearia boa parte do espírito, da esperança mantida, colocada, para  o futuro da causa.
Não é tanto pelo hábito já estabelecido, colocado, de cair após um golpe desferido. Para depois levantar, prosseguir. Quem tem alguma deficiência, no Brasil, costuma ter um sentido de direção alterado. Uma guia regido pelo não nos faz ser receosos, desconfiados ao testemunharmos a consolidação do sim.
Nenhum problema, ou reparo feito, para sermos vacinados contra promessas descabidas. Porém, quando nos tiram o remédio para garantir a própria imunidade, a tendência natural é que a doença antes erradicada volte a acontecer. E com um poder lesivo ainda maior
A resposta frente à possibilidade de extinção da CONADE está sendo marcante. Sentido de união política consolidado, em consonância com o propósito real, efetivo, a nos fazer militar pela inclusão, com força, vontade. E as matérias, as notícias vindas do front da nossa representatividade, sinalizam um recuo.
 Ao que parece o CONADE não será extinto. Nem o afã destruidor do presidente, o necessário apelo por reformas para reconfiguração do país, o enxugamento do Estado, propostos por sua equipe, conseguiram obstruir uma constatação óbvia.
Temos um Conselho cujo funcionamento, alcance e efetividade, não pode ser diluído, num galope de insensatez, falta de razoabilidade. Embora essa tenha sido a marca, o carimbo de muitas manifestações atuais, nesses seis meses de desgoverno.
Prima então, uma necessidade de meditar, buscar na esquecida, enterrada arte do diálogo, um motivo para subsidiarmos o nosso futuro. Convicções políticas à parte, ideologias postas, desde que não afugentem, espantem o senso propositivo por organização.
Para erigir uma marcha necessária, a fim de que as nossas demandas sejam escutadas, nenhum ruído pode predominar sobre as proposições, comuns a todos.
No universo pouco conhecido, amparado das inúmeras deficiências conhecidas, qualquer amparo possível cintila. Com aquela propensão fantasiosa, solar de um astro rei, a possibilidade palpável de acabar por ser uma estrela cadente. Para não ficarmos orbitados pelo vácuo, siderados, pela impermanência de um buraco negro, a união não é somente indispensável. Sobremaneira, se consolida como um ato obrigatório.

Um abraço para todos,

André Nóbrega.



22 de abr de 2019

Michelle Bolsonaro faz discurso em Libras.



Este é o primeiro vídeo da nova série no nosso canal no youtube onde vamos postar conteúdos que recebemos por e-mail, whatsapp, instagram principalmente relacionados as pessoas com deficiência e neste primeiro vídeo resolvemos postar o vídeo da Michelle Bolsonaro fazendo um discurso em Libras na posse do Presidente do Brasil, na verdade para nós a novidade não é o que ela falou mas, sim, como ela falou e pra quem ela se dirigiu.
Se concordamos ou não com o que foi dito é outra história, mas, não conseguimos ignorar o simbolismo que este vídeo tem principalmente para pessoas com deficiência auditiva, ela falou em Libras que quem precisou de tradução foi o restante do mundo, na boa, eu nunca ví isso acontecer em lugar nenhum, por isso fiz questão de registrar no nosso canal mesmo que quatro meses depois da gravação do vídeo.



14 de abr de 2019

Extinção dos direitos, fim do CONADE. Damares que vem para o mal


Um duro golpe, desferido contra a causa, na última sexta-feira. O presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto , com a intenção, o propósito de extinguir os conselhos socias, a integrar a Política Nacional de Participação Social.
  Dentre os conselhos afetados, implicados pela medida, está o CONADE. O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Conhecido por sua capilaridade, papel no desenvolvimento no planejamento de políticas públicas, em um sentido amplo.
De acordo com o espírito, o clamor em efetuar uma política nacional para nossa ação. O objetivo de muitos, na longa, luminosa estrada , a reconhecer todos os esforços já empenhados, em favor da inclusão.
Iniciado em 1999, o CONADE tinha um claro vetor de construção objetivada. Era uma política nacional de fomento, ocorrida pelo enlace de iniciativas, políticas setoriais na área da saúde, da educação, da assistência social, com a vinculação direta, destinada ao tema.
 Portanto, um plano precursor, pelo caráter, o propósito de integração. Inovava tanto pela ambição, o alcance que, em 2003, o conselho foi integrado ao governo, e a fazer parte da Secretaria dos Direitos Humanos.   
Acima de tudo, vem junto com o gesto uma prerrogativa de atraso, retrocesso, frente aos direitos adquiridos pela luta. A extinção do CONADE não configura um gesto isolado, de erro cometido em razão da falta de hábito, tino de um governo novo. Cujas propostas atendem ao clamor, o anseio por pautas reformistas.
Quando pensamos em representatividade na pauta, seria razoável ocorrer alguma inferência a competência, ponderação, a quem ocupa um cargo de poder na área. Para a assunção dos temas, rumos, a caracterizarem essa questão .
 Por que o mínimo a ser exigido de um ministro(a) dos Direitos Humanos, em tese, seria uma biografia de competência. Não de declarações temerárias.
O dano causado pela ignorância, os descaminhos proporcionados pelo fundamentalismo ornado, esculpido, pela ausência de  fundamentação. Nenhuma gratificação fecunda o horizonte habitado pelo diálogo, quando o mundo passa a ser habitado pela aridez, a plenitude inverossímil, tramada pelo reino das verdades fundamentais.
Quando defrontada sobre a questão da escola inclusiva, bateu um frio no estômago, diante do posicionamento auferido pela ministra Damares. Segundo ela, os pais das pessoas com deficiência, clamam sim, anseiam pelo direito de educar os seus filhos...Mas em suas casas!!!
Assim, ao invés de elencar estudos, apontar opiniões margeadas pela opinião de especialistas, a objetivar a relevância da escola inclusiva, tem-se algo inédito, insosso. Um ar empesteado, poluído, por suposições e achismos.
Perdoem-me o trocadilho, mas Damares que vem para o mal...
Desta forma, o consenso obtido por educadores, pais de alunos envolvidos com a educação integrada, adquire uma importância inóspita. Um papel coadjuvante, enquanto prepondera uma forma de agir infantilizada, por desconsiderar a razão, não dar crédito aos fatos.
Fake News, pós-verdade, um efeito post morten , sentido na carne, no anseio de quem milita, crê na inclusão.
Uma nau sem rumo, uma nação que há muito parece ter perdido o próprio prumo...
Vida que segue, luta que verve.
Um abraço para todos.
André Nóbrega.



7 de abr de 2019

O plano da ANCINE




         Felizes as memórias construídas, a partir do efeito, da emoção própria, única, vinda das salas de cinema.
         Poder elencar em seu glossário existencial , junto com uma lista de filmes inesquecíveis, um anexo de experiências determinantes.
Já sem o protagonismo de outrora, de arte, patrimônio fundamental do século XX , a sétima arte resiste, nos encanta. É uma fidelidade, em meio ao deserto da vida, ser contagiado por uma história, num oásis oferecido por aquela tela gigante.
Quem pode negar o efeito, o impacto proporcionado pela exibição dos grandes filmes em nosso caminhar, como admirador incontido, inveterado, sensível a essa manifestação artística?
Os cegos, as pessoas com baixa visão, os surdos. Não bastasse a exclusão, no sentido prático, cotidiano, ao qual uma pessoa com deficiência se defronta, há este agravante, de grave incisão na vida, na realidade de quem possui tais características.
Por que a falta de acesso às salas de cinema, museus é uma negação ao sonho. Ao poder essencial de germinamos saberes, diante das experiências acumuladas. Depois de apreciarmos grandes obras, obtemos um escape lúdico, enquanto nos mantemos acesos, vivos, em nossa trajetória.
O acesso universal às salas de cinemas , portanto, possui uma conotação comum, presente ao de um Direito Fundamental, na Constituição Federal de 1988.
 Não por acaso, está elencado, com amplo e merecido destaque na Lei Brasileira de Inclusão. A nossa maior conquista jurídica, em seu Título II-Capítulo IX- fala sobre o’’ direito da pessoa com deficiência à cultura, ao esporte, ao turismo, ao lazer, em igualdade de oportunidades com as demais’’.
Soa quase como ficção, escrita criada a partir de situações estabelecidas em mundo paralelo, fora do Brasil padrão, a parte do país conhecida, preocupada em não nos dar protagonismo. Nem a justa viabilidade.
A ANCINE(Agência Nacional de Cinema) divulgou um cronograma, com o intuito de estabelecer acessibilidade, em mais de 3.200 salas de cinema no país.
Aos poucos, pretende-se adaptar os equipamentos culturais das salas de exibição, para enfim ocorrer o ingresso, a assimilação dos conteúdos audiovisuais.
Será edificante presenciar o êxtase, o gozo refletido no corpo de quem sequer é considerado, levado em conta, pela exibição, o circuito de filmes comerciais. E em sessões permanentes .
Pelo plano de difusão ambicionado pela ANCINE, a partir de 1º de janeiro de 2020, 100% dos filmes deverão ser exibidos com opção de acessibilidade em Libras, audiodescrição, ou legendas descritivas.
Muita torcida, uma enormidade de cautela, pelo cumprimento, a assunção definitiva de um pleito tão ambicioso .
Com as palmas, o peito pronto para ser arrebatado, caso a ideia ganhe corpo, espaço e significados.
Vamos torcer.
Um abraço para todos,
André Nóbrega.




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