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30 novembro 2012

NADA SOBRE NÓS SEM NÓS ?

Recebi este texto por e-mail do Edison Passafaro e estou divulgando no Blog:

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Amigos, colegas e companheiros de deficiência,
Entre os novos secretários municipais anunciados pela nova gestão, deve assumir a pasta das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida a vice de Chalita, a médica Mariane Pinotti.
Infelizmente, a exemplo do PSDB e coligados, o PT e seus aliados não devem ter em seus quadros de filiados ou colaboradores nenhuma pessoa "com deficiência" que tenha competência profissional e política para merecer a confiança do futuro prefeito para desenvolver políticas públicas para seus próprios pares.
Outra leitura é constatarmos que, em pleno século XXI, aos olhos dos governantes e das pessoas com deficiência que se submetem a essa conduta, nós, cidadãos brasileiros que temos algum tipo de deficiência, ainda somos indiscriminadamente a própria deficiência e necessitamos incondicionalmente de ajuda, supervisão médica e até mesmos de tutela.
Seja como for, fico imaginando como seria a reação da sociedade se para uma secretaria voltada a políticas para pessoas negras fosse indicada uma pessoa branca, ainda que um militante defensor da integração racial, ou para uma secretaria de políticas para as mulheres tivesse como titular um homem, mesmo que fosse um médico ginecologista... .
Sempre fui crítico para com essa situação e, como militante há mais de trinta anos pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência e ativista pela implantação do movimento de vida independente em nosso país, não posso deixar de me sentir incomodado com a passividade da maioria dos meus pares que, seja por acomodação pessoal, falta de envolvimento político, ignorância, ou seja por conveniências pessoais, empregatícias ou financeiras, se calam e até mesmo apoiam esse retrocesso.
O fato de uma pessoa possuir alguma deficiência não legitima sua capacidade profissional e muito menos seu caráter. Também não cabe aqui questionar a competência profissional e o comprometimento pessoal daqueles que, mesmo sem possuir deficiências, ocupam essas pastas, tanto nos governos municipais quanto estaduais. Apenas considero falta de sensibilidade e visão política, para dizer o mínimo, manter a promoção de políticas para esse expressivo segmento da sociedade sob o comando de pessoas que não vivem na própria pele as consequências impostas pela morosidade na execução de ações efetivas que garantam na prática as obrigações estabelecidas nos textos legais, tais como falta de acessibilidade ao transporte, educação, emprego, saúde, cultura, esporte etc etc etc.
Não sou dono da verdade, mas penso que é muito mais fácil discutir sobre a fome quando se está de barriga cheia! Entendo que discursar sobre as necessidades das pessoas com deficiência e, ao témino do evento, sair andando, ouvindo, enchergando e convivendo sem maiores problemas com as barreiras arquitêtônicas, sensoriais e atitudinais que são explícitas em nossa sociedade é a mesma coisa. 
Então, lanço o desafio para que todos reflitam sobre o assunto e, quem sabe, possamos alterar essa realidade.
Saudações

Edison Passafaro

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