17 de ago de 2019

VOCÊ PODE SOLICITAR ONLINE AS ISENÇÕES DE IPI e IOF NA COMPRA DE VEÍCULO NOVO


As pessoas com deficiência física, visual, mental - severa ou profunda  - autistas e taxistas tem direito por lei à isenção de impostos na aquisição de veículos.
Com objetivo de simplificar a vida do usuário que tem direito ao benefício – que no âmbito federal se aplica ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e ao Imposto sobre Operações de Crédito (IOF) – desde dezembro de 2017, a solicitação passou a ser feita somente pelo Sistema de Controle de Isenção de IPI/IOF (Sisen), disponível na página da receita federal na internet.
A implantação do Sisen teve como objetivo desburocratizar o processo de isenção, promover a redução do tempo de tramitação, além de aumentar a segurança do processo. Desde a implantação da plataforma, cerca de 200 mil pedidos deixam de ser protocolados, anualmente, nas unidades de atendimento da Receita Federal em todo o país, 150 mil referentes a deficientes e 50 mil a taxistas. Além disso, com a tramitação eletrônica, o prazo para deferimento do pedido foi reduzido para até 72 horas.
Outra vantagem é que nas situações em que há indeferimento do pedido, o cidadão é informado pelo sistema sobre o motivo da inconsistência sem precisar comparecer a uma unidade da Receita, o que possibilita a autorregularização e reduz litígios.
A Receita também recomenda que os cidadãos que tenham realizados pedidos por meio de processos físicos – ainda pendente de decisão – o substituam por processos eletrônicos de modo a reduzir o tempo de resposta.
Entre os sistemas e bases que integram a base de dados do Sisen estão o Registro Nacional de Carteira de Habilitação (Renach), o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), além de bases internas da própria Receita Federal, como o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e a base de Certidão de débitos relativos a créditos tributários federais e à Divida Ativa da União (DAU).
Para fazer a solicitação da isenção, o usuário deve acessar a página do Sisen no site da Receita. O acesso ocorre por meio de certificado digital de pessoa física (e-CPF) ou código de acesso, para quem não possui o certificado. Em função disso, é preciso esclarecer que o código de acesso do Sisen é diferente do usado no Centro Virtual de Atendimento (e-CAC).
Para criar o código de acesso do Sisen é necessário informar o número dos últimos recibos da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) ou o número do título de eleitor.
Isenção de IOF
Também é importante esclarecer que a isenção de IOF na compra de veículos ainda não atinge as pessoas com deficiência visual, mental ou autistas – que por essa razão não estão aptas a dirigir – por falta de previsão legal. Além disso, a isenção de IOF só pode ser utilizada uma única vez por cada contribuinte.
Isenção de IPVA e o ICMS
Os beneficiários da isenção de IPI e IOF também têm direito à isenção de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço). Como o IPVA e ICMS são tributos estaduais, para ter acesso à isenção ou desconto nesses tributos é necessário que o cidadão procure informações com a respectiva secretaria de Fazenda do estado ou unidade do Detran.
Confira a lista de documentos necessários para solicitar as isenções:
Pessoas com deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas
- Laudo de avaliação emitido por prestador de serviço público de saúde, por serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS), pelo Detran ou por suas clínicas credenciadas, ou por intermédio de serviço social autônomo, sem fins lucrativos, criado por lei, caso não tenha sido emitido laudo de avaliação eletrônico; e
- Certidão de nascimento atualizada do beneficiário, na qual esteja identificado o seu responsável legal, no caso de requerimento transmitido por tutor ou curador.
Taxistas
- Nome, número do documento de identidade (RG) e número de inscrição no CPF do associado;
- Número de registro da CNH que conste a informação de que o condutor utiliza o veículo para desenvolver atividade remunerada
- Dados do veículo anterior, adquirido com isenção de IPI há mais de 2 (dois) anos (cópia da nota fiscal de aquisição, número da placa, número do chassis e número da permissão concedida pelo Poder Público), exceto quando se tratar da primeira aquisição;
- Ato constitutivo da cooperativa e das respectivas alterações, se houver;
- Certificado de Regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (CRF);
- Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial compatível com o valor total dos veículos a serem adquiridos, em nome da cooperativa, conforme modelo da Instrução Normativa nº 1.716/2017..

Quem tem direito às isenções ?

Confira algumas deficiências e patologias que dão direito à isenção de impostos. O benefício está sujeito à avaliação técnica e especializada de um perito médico. Ter alguma das doenças abaixo não é garantia do benefício. O que é avaliada é a sequela provocada no condutor.
Autismo (familiares), Amputação ou ausência de membro , Artrodese e artrose, Artrite, reumatoide, AVC (Acidente Vascular Cerebral), Cegueira (familiares), Câncer de mama e linfomas (se há sequela física ou motora), Deficiências físicas, mentais e intelectuais, Diabetes (se há sequela física ou motora), Doenças degenerativas e neurológicas, Doenças renais crônicas, Dort (LER) e bursites graves, Esclerose múltipla, Escoliose acentuada, Hérnia de disco, Hemiplegia e tetraparesia, Hepatite C (se há sequela física ou motora), HIV positivo (se há sequela física ou motora), Má formação dos membros, Manguito rotator, Mastectomia, Monoparesia e monoplegia, Nanismo, Neuropatias diabéticas, Quadrantectomia (parte da mama), Paralisia cerebral (familiares), Paralisia e paraplegia, Parkison, Problemas de coluna (se há sequela física ou motora), Próteses internas e externas, Poliomelite, Ponte de Safena (se há sequela física ou motora), Renal Crônica (fístula), Síndrome de down (familiares), Talidomida, Túnel de Carpo e tendinite crônica, Tetraplegia (familiares).

16 de ago de 2019

Dica de filme com pessoa com deficiência - No fim do túnel


Dicas de filme no nosso canal do youtube - No fim do túnel

Visite nosso site e veja outros conteúdos.

www.pessoacomdeficiencia.com

Um filme que de início parece apenas mais um longa de suspense frágil, e que a princípio não chamaria atenção do público pela falta de harmonia entre seus elementos apresentados em seu começo, surpreende e encontra alternativas para se concretizar como um bom filme de gênero dentro de um país que vêm se destacando pela sua filmografia ao longo dos anos.
Este é No Fim do Túnel, longa-metragem argentino dirigido por Rodrigo Grande que tem como protagonista Leonardo Sbaraglia, ator do ótimo Relatos Selvagens, que aqui interpreta Joaquín, um cadeirante que perdeu sua família e agora vive apenas com seu cachorro e trabalha concertando computadores em seu sótão. O longa de cara começa bem, com um grande plano sequência em que mostra o interior a casa de Joaquín e caminha com o telespectador por boa parte do ambiente. Porém, o que parecia algo promissor quebra quando somos apresentados aos personagens da trama.
Primeiro com o próprio Joaquín, que ao invés de aprofundarem um pouco o mundo daquele personagem, nos apresentam ele rapidamente e de uma forma totalmente vazia; seguido por Berta e sua filha Betty, que estão à procura de um cômodo para alugar e o encontram na casa de Joaquín. É estranha a rapidez de como os fatos são apresentados neste início; em questão de minutos, Berta e Betty já estão morando na casa de Joaquín e uma intimidade já é criada entre ambos. Tudo acontece precipitadamente no roteiro, assim como na decupagem de planos que utiliza de elementos desnecessários para aquele momento e também na trilha sonora, que deixa muito a desejar em suas passagens.
Durante uma noite em que Joaquín trabalha em seu sótão, ele ouve alguns barulhos vindo de uma das paredes; com o uso de equipamentos tecnológicos, ele passa então a escutar conversas de um grupo de assaltantes liderados por Galereto, que estão usando a residência ao lado para criar um túnel que passa por debaixo de sua casa e roubar um banco. O filme caminha com esta premissa e nem mesmo as pequenas tentativas de criar um ambiente de suspense funciona neste início. Apesar da competência de quase todos os atores, soa um tanto quanto inverossímil a fala e ações entre eles, muito disso certamente por conta de alguns buracos deixados pelo roteiro, mas que de um jeito curioso melhora bastante a medida que o filme se desenvolve e ganha força.
Depois de alguns acontecimentos que, se falados por aqui, atrapalharia na recepção do filme, Joaquín decide então interferir neste roubo ao banco. Um ponto chave que surpreendentemente se transforma em um estímulo em quase todos os aspectos, no qual a partir deste momento os personagens passam a ganhar a sua real importância e relevância, o suspense é criado com uma boa fotografia e bons diálogos, assim como a trilha sonora, que acerta e traz pro telespectador um clima de tensão. A narrativa fica então intrigante e de forma atrativa o diretor passa a construir um ambiente angustiante, no qual Joaquín, com seus motivos, tenta afetar diretamente o roubo através de seus artifícios.
A trama criada para relacionar cada personagem e suas respectivas histórias funciona bem. Desde Betty, filha de Berta – que ganha uma importância muito grande na narrativa – até o homem que está por trás de todo roubo, são encontradas boas soluções no roteiro e que caracterizam um filme singular, apesar de ter uma premissa um tanto que batida.
Com um final conturbado, cheio de reviravoltas, bons diálogos e com uma cena que remete ao filme Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino, No Fim do Túnel, apesar de ter um primeiro ato fraco, em seu desfecho consegue prender atenção do telespectador – algo extremamente necessário em um longa criminal e de suspense com estrutura clássica. E mais que isso, consegue explorar de forma concisa um protagonista cadeirante que sustenta bem o filme em sua grande parte. FONTE

5 de ago de 2019

A maneira mais rápida de ter seu negocio na internet.

Neste post eu quero te contar uma novidade muito bacana. Ha alguns anos atras eu fiz um curso de Marketing digital, pois, sempre gostei e acreditei que é possível ganhar dinheiro trabalhando em casa pelo computador. Na ocasião não coloquei em prática o que aprendi no curso porque como tudo na vida esta atividade precisa de um minimo que seja de dedicação e como tinha recebido algumas propostas de trabalho resolvi mexer com o Marketing Digital mais pra frente, porém não parei de pesquisar e estudar dobre o assunto.
Agora sim, posso dedicar algum tempo para começar a colocar em pratica o que aprendi e pra minha surpresa é que nem bem comecei e já fiz a minha primeira venda, alias, é muito bom quando você abre a plataforma e ver que fez uma venda, fico imaginando o dia que eu abrir e ver mil vendas, rsrs, vai ser muito bom.
Existe um sistema a prova de falhas e que já vem sendo aprimorando a mais de 4 anos, pra criar ensinar quem quer trabalhar com Marketing Digital e não sabe nada ainda. Com esse sistema, que na verdade é um método em passos simples, mas que devem ser aplicados na ordem certa é possível criar vários projetos online de forma muito rápida, progressiva e altamente lucrativa. E esse sistema compilou tudo em um Super Treinamento que se você quiser ganhar dinheiro trabalhando com internet precisa conhecer.
Eu já tive acesso ao treinamento e estou alucinado com a quantidade de informações. Estou aprendendo e estou colocando em prática.
Sempre sonhei com o dia que eu pudesse indicar as pessoas com deficiência uma possibilidade real de ganhar dinheiro trabalhando de casa até por toda a dificuldade que temos para encarar o mercado de trabalho tradicional.
De uma olhada, clique no link abaixo.
O Treinamento é totalmente em vídeo aulas, com mais de 200 vídeos, mais de 50 horas no total de pura informação de qualidade no modelo de passo a passo, é impossível errar. Além disso, tem muito material extra, como: Mapas Mentais, Checklists, Exercícios, Fluxogramas, Ferramentas Para os Membros, Várias Bônus Fantásticos.
Além de todo suporte e atenção que você precisar.
Espero que aproveite esta oportunidade e pelo menos conheça este jeito de ganhar dinheiro é só clicar no Link:

5 de mai de 2019

A falta que nos move

Para Yasmin Porto **
 

            Antes de mais nada, reconhecer o abismo a nos envolver. Saber olhar para o vazio, para as falhas latentes, evidentes em nossas vidas, sem nos acomodarmos. E isso não é tão fácil quanto aparenta.
            Por muitas vezes, em inúmeras ocasiões, após tantas promessas lançadas, ficamos asfixiados pelo impacto da realidade. Não contribuem as sinalizações do governo atual. Tanto no episódio a envolver a ameaça de extinção do CONADE, como na postura antidemocrática, cerceadora de direitos, sinalizada por nossa ministra Damares .
Não é um tempo fácil para os sonhadores, os artistas, os professores e quem ouse sinalizar opiniões contrárias, dissonantes ao ímpeto da nova ordem política. Uma era de destruição foi iniciada. O elogio à burrice é diário, estimulado a cada declaração presidencial.
Nenhum apego ao diálogo franco sendo estimulado. A vivência democrática esvaziada, num ambiente sem simpatia, convívio estabelecido com o contraditório. Mas sempre pode piorar.
 A nossa sociedade ególatra, pouco empática e ansiosa pode, num futuro próximo, ter o sonho de cowboy realizado. Os protótipos de John Wayne, Clint Eastwood podem dar vazão à própria ira, insensatez, e propagar a ilusão de faroeste tropical pelo país. Provavelmente as armas serão liberadas, o corte às universidades públicas está anunciado, enquanto o desmonte da atividade cinematográfica fica planejado. A estupidez venceu.
Para boa parte da sociedade, a camada das pessoas sem deficiência alguma, começa a ocorrer uma sinalização comum a todos nós. Própria ao quadro estratificado em nosso cotidiano, há muito tempo. Desde quando resolvemos encarar a vida. Sabemos habitar o planeta desigual das oportunidades, arar o solo infértil das chances, com uma teimosia, uma perseverança cega 
Seria muito melhor, bem mais confortável, caso reinasse um panorama, uma situação menos conflituosa. Pois eu ainda sonho com o dia, o tempo, no qual possamos andar pelas ruas despreocupados, sem medo de cair.
Entre derrotas, quedas, suspiros e vislumbres com um futuro melhor em nossas vidas, no exercício da nossa militância, aprendemos a conjugar certa habilidade. Sabemos fazer da falta uma força.
E em tempos de tempestade, insegurança, a sorte premia os bons navegadores. A nossa trajetória exige isso, estabelece, de antemão, a necessidade de desenvolvermos certa espécie de guia, bússola, para atravessar as turbulências.
Já colocado, sabido sobre a valência essencial de luta para existirmos. E que, de forma, situação nenhuma, pode nos enganar, seduzir a partir daquele aspecto, da falácia do pcd servir como exemplo de superação. Mesmo assim, necessário acrescentar um outro pensamento.
Na sinfonia múltipla de gestos, jeitos de comunicarmos ao universo soluções para nossos tipos de deficiência, conseguiremos alcançar a música certa? A sintonia comum, possível de ser absorvida por todos os nossos corpos e demandas?
Primeiro é preciso retomar o gosto pela conversa propositiva, de união. Superar dificuldades não chega a ser qualidade, é um requisito obrigatório para prosseguirmos. Em meio ao agito, a inclinação por retrocesso, permanecer fiel à causa, comprometido com a inclusão, será portanto remar contra a maré.
Fundamental uma reserva extraordinária de fôlego, a cota extra de paciência, para, mesmo com a ciência da desfaçatez, ainda computar avanços, ganhos para a causa.
O imã por trás de cada conquista, proveito, talvez venha da falta que nos move.
Um abraço para todos,
André Nóbrega.



1 de mai de 2019

Participe do Projeto de geração de renda.

Atenção: Estamos selecionando pessoas com perfil de empreendedor para participarem como coordenadores de um projeto de geração de renda nas seguintes cidades:
Americana, Amparo, Araçatuba, Araraquara, Araras, Arujá, Assis, Atibaia, Avaré, Barretos, Barueri, Bauru, Bebedouro, Birigui, Botucatu, Bragança Paulista, Caieiras, Cajamar, Campinas, Campo Limpo Paulista, Carapicuíba, Catanduva, Cotia, Cruzeiro, Cubatão, Diadema, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Fernandópolis, Ferraz de Vasconcelos, Franca, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guaratinguetá, Guarujá, Guarulhos, Hortolândia, Ibiúna, Indaiatuba, Itanhaém, Itapecerica da Serra, Itapetininga, Itapeva, Itapevi, Itapira, Itaquaquecetuba, Itararé, Itatiba, Itu, Jaboticabal, Jacareí, Jandira, Jaú, Jundiaí, Leme, Lençóis Paulista, Limeira, Lins, Lorena, Mairiporã, Marília, Matão, Mauá, Mococa, Mogi das Cruzes, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Osasco, Ourinhos, Paulínia, Penápolis, Peruíbe, Pindamonhangaba, Piracicaba, Pirassununga, Poá, Praia Grande, Presidente Prudente, Ribeirão Pires, Ribeirão Preto, Rio Claro, Salto, Santa Bárbara d'Oeste, Santana de Parnaíba, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Carlos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São Paulo, São Roque, São Sebastião, São Vicente, Sertãozinho, Sorocaba, Sumaré, Suzano, Taboão da Serra, Tatuí, Taubaté, Tupã, Valinhos, Várzea Paulista, Votorantim e Votuporanga.
INTERESSADOS EM MAIS INFORMAÇÕES MANDEM MENSAGEM NO SEGUINTE WHATSAPP: 12 98703-7504

29 de abr de 2019

Gorete costurando.

Cada pessoa tem um potencial e a capacidade de fazer coisas que outros não tem, simplesmente pelo fato do individuo ter ou não deficiência não significa que pode ou não pode desenvolver determinadas atividades, nunca podemos julgar as pessoas sem antes conhecer de verdade as suas habilidades, neste vídeo a Gorete, que é uma pessoa com deficiência visual esta costurando uma peça de roupa, coisa que muitos outros que enxergam não seriam capazes independentemente do motivo, vejam e se inscrevam em nosso canal para que possamos fazer nossas mensagens irem muito mais longe.

28 de abr de 2019

E pra namorar, como fica?



        São inúmeros os esforços computados, as pautas, nos quais a luta pela inclusão é localizada. Seja qual for o enfoque, o ponto de vista privilegiado, haverá sempre uma carência enorme, um universo a ser preenchido, para a mínima realização dos nossos objetivos.
Por lidarmos com a falta, o abandono, nas situações mais básicas e elementares, o foco da nossa militância costuma ser abrangente . A solução para o que nos sangra depende sempre de um todo, espécie de ser indeterminado, que poderia ser um governo, um Estado com a preocupação de nos atender, de forma justa .
 Ao nos depararmos com um buraco, no meio de uma calçada, temos por instinto, pensamento imediato, apenas desviar, para garantir proteção. Não nos ocorre que o poder público, alguma iniciativa possa, de imediato, reparar aquela situação.
Por que, de certa maneira, os problemas a nos atingirem, ocorrem pela reconhecida falta de estrutura, planejamento do governo brasileiro a cumprir as suas funções mais elementares.
Circulação nas cidades falha, perspectiva de inclusão profissional prejudicada, por um mercado a nos olhar com distanciamento, incredulidade. Absoluta falta nos dispositivos culturais, nos cinemas, exposições em disponibilizar acesso universal. Com certeza, você pensou em outros itens, para continuar essa lista . Mas e pra namorar, como fica?
Numa sociedade a privilegiar o culto ao corpo, a estabelecer padrões insustentáveis de beleza, não ficaria uma pessoa com deficiência  em desvantagem, frente as possibilidades de paquera, encontros românticos a acontecerem, conforme o passar do tempo?
Saímos em condições diferentes, adversas, de uma pessoa comum, com certeza. Primeiro, pela falta de condições em desfrutarmos das festas, dos shows, numa forma razoável, tranquila e aprazível. Dificilmente, em tais momentos haverá uma acessibilidade mínima, aceitável, para podermos paquerar.
Nas noites, o olhar dirigido a alguém com deficiência costuma variar, muito. Vai de uma estranheza abusiva, um deboche total, a um sincero sorriso de admiração, não raro vindo por um pensamento: ’’caramba, no meio de tanta gente, num lugar cheio , difícil de circular, o cara vem aqui e se diverte?”.
É bastante complicado chegarmos num lugar assim, numa boate, sendo a única pessoa com deficiência presente ao recinto. A princípio, dá vergonha, inibição. Somos observados com um ímpeto julgador acima do normal, do razoável. Porém, o que pesa mais? O olhar de estranhos, ou a específica vontade sua, de conhecer outras pessoas, se divertir?
Lidar com uma deficiência é um processo de negociação interna constante. Implica em aceitar-se como diferente, assumir os ônus disso com uma sinceridade crua. E no final de tudo,talvez, tal recurso não seja de todo ruim. 
Fazer das suas peculiaridades uma assinatura, um jeito de se impor, frente a uma sociedade padronizada. Em dado momento, você não refuta tanto o que o torna diferente dos outros.
A coragem necessária para um cadeirante atravessar a rua não se assemelha, nem tem a ver, com o impulso tido ao iniciarmos um relacionamento. É menor, exige menos do que o despojamento em querer prosseguir, num namoro. Dar vazão e status de compromisso, para um flerte iniciado.
Perdi muitas chances de amar no exercício salgado, punitivo, incerto, de querer poupar a fulana das dificuldades, os entraves comuns a alguém na minha condição...Mas a mulher já não havia me escolhido? De certa forma, ter concedido, por um momento, a chance de percorrermos juntos os dissabores e alegrias de um possível ensaio de história?
Não sei, não foi dada a nenhuma delas essa chance de prosseguir.
Creio que dentre todas as dificuldades impostas pelo mundo, o meio a nos cercar, a maior seja a de nos aceitar . Maior coragem, sem dúvida, é a de apesar de tudo, com toda injustiça de oportunidades oferecidas, as condições desfavoráveis, ainda elegermos o amor como busca.
Com quarenta anos, solteiro, sem filhos, com os filtros da sensibilidade, da percepção, em plena atividade, eu quero crer cada vez nessa estrada do afeto. Apesar de muitas vezes a existência nos jogar pra baixo, com impedimentos, impossibilidades de êxito, nas construções de vida mais rudimentares.
Por que se não fugimos dos castigos impostos por algumas leis, nunca sairemos impunes, da palavra de certos poetas.
E Carlos Drummond de Andrade nos ensinou que: ‘’amar só se aprende amando’’.
Um abraço para todos,
André Nóbrega.



24 de abr de 2019

Juiz Federal, Roberto Wanderley Nogueira, concorda com o decreto de redefinição estrutural do CONADE e outros conselhos.

O Juiz federal Roberto Wanderlei Nogueira, ativista resiliente e defensor dos direitos das pessoas com deficiência se manifestou em mensagem no FaceBook sobre o Decreto Federal nº 9.759/2019, assinado pelo Presidente Jair Bolsonaro, que Extingue e estabelece diretrizes, regras e limitações para colegiados da administração pública federal.
Muitas pessoas entenderam que com a publicação do decreto o CONADE ( Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência ) seria extinto, o que não aconteceu, nesta semana em que publicamos este post o conselho se reúne de segunda a sexta e até elegeu o seu novo presidente.

A seguir o post do Excelentíssimo Juiz:

"Amigos, Há Secretarias, Diretorias e Coordenadorias em âmbito ministerial que se ocupam de todas essas pautas. O que não era possível é o inchaço administrativo com custos inconcebíveis e perfeitamente dispensáveis de modo a atingir os mesmos resultados. O atual governo está empenhado em racionalizar a administração pública. Nenhum direito foi ou será atingido. Só mudou o balcão. Afinal, qual o problema na extinção do CONADE, por exemplo? A paridade lá observada, com alguma mexida, pode ser incorporada à Administração Direta com amplas vantagens de custeio e novos investimentos. E será. O que vai acabar é o excesso de viagens, diárias, hospedagens etc. Tudo isso agrava o déficit público, mas jamais representou desenvolvimento de amplas conquistas para as causas associadas às políticas públicas estabelecidas e/ou em construção.
O país marcha para a completa extinção da chamada "indústria da deficiência" e da ditadura do "politicamente correto", seja lá o que isso signifique. 

O que importa é que o Estado funcione efetivamente, produza resultados no que lhe cumpre atender e garanta a realização de direitos para todos, sem acepção de ninguém ou classe social alguma.

Bem vindo o Decreto Federal nº 9.759/2019!"


23 de abr de 2019

Por uma união pró-causa, para além das denominações de coxinhas e mortadelas



Urge, em meio ao tintilar de notícias urgentes, calamitosas, por deporem contra os poucos direitos por nós conseguidos, uma reflexão.
O próximo passo, a reação consequente diante do momento, será um teste para todos nós. Cederemos a revolta, a cólera pura e simples, enquanto conquistas são suspensas?
Sem a chance de defesa, para exercer o contraditório, reparar uma injustiça histórica, bárbara, demolidora de prerrogativas essenciais, para a constituição da nossa luta, não teria talvez sangue, nem chance para escrever esse artigo. A arbitrariedade feita pelo governo atual, ao propor a extinção do CONADE, nocautearia boa parte do espírito, da esperança mantida, colocada, para  o futuro da causa.
Não é tanto pelo hábito já estabelecido, colocado, de cair após um golpe desferido. Para depois levantar, prosseguir. Quem tem alguma deficiência, no Brasil, costuma ter um sentido de direção alterado. Uma guia regido pelo não nos faz ser receosos, desconfiados ao testemunharmos a consolidação do sim.
Nenhum problema, ou reparo feito, para sermos vacinados contra promessas descabidas. Porém, quando nos tiram o remédio para garantir a própria imunidade, a tendência natural é que a doença antes erradicada volte a acontecer. E com um poder lesivo ainda maior
A resposta frente à possibilidade de extinção da CONADE está sendo marcante. Sentido de união política consolidado, em consonância com o propósito real, efetivo, a nos fazer militar pela inclusão, com força, vontade. E as matérias, as notícias vindas do front da nossa representatividade, sinalizam um recuo.
 Ao que parece o CONADE não será extinto. Nem o afã destruidor do presidente, o necessário apelo por reformas para reconfiguração do país, o enxugamento do Estado, propostos por sua equipe, conseguiram obstruir uma constatação óbvia.
Temos um Conselho cujo funcionamento, alcance e efetividade, não pode ser diluído, num galope de insensatez, falta de razoabilidade. Embora essa tenha sido a marca, o carimbo de muitas manifestações atuais, nesses seis meses de desgoverno.
Prima então, uma necessidade de meditar, buscar na esquecida, enterrada arte do diálogo, um motivo para subsidiarmos o nosso futuro. Convicções políticas à parte, ideologias postas, desde que não afugentem, espantem o senso propositivo por organização.
Para erigir uma marcha necessária, a fim de que as nossas demandas sejam escutadas, nenhum ruído pode predominar sobre as proposições, comuns a todos.
No universo pouco conhecido, amparado das inúmeras deficiências conhecidas, qualquer amparo possível cintila. Com aquela propensão fantasiosa, solar de um astro rei, a possibilidade palpável de acabar por ser uma estrela cadente. Para não ficarmos orbitados pelo vácuo, siderados, pela impermanência de um buraco negro, a união não é somente indispensável. Sobremaneira, se consolida como um ato obrigatório.

Um abraço para todos,

André Nóbrega.



22 de abr de 2019

Michelle Bolsonaro faz discurso em Libras.



Este é o primeiro vídeo da nova série no nosso canal no youtube onde vamos postar conteúdos que recebemos por e-mail, whatsapp, instagram principalmente relacionados as pessoas com deficiência e neste primeiro vídeo resolvemos postar o vídeo da Michelle Bolsonaro fazendo um discurso em Libras na posse do Presidente do Brasil, na verdade para nós a novidade não é o que ela falou mas, sim, como ela falou e pra quem ela se dirigiu.
Se concordamos ou não com o que foi dito é outra história, mas, não conseguimos ignorar o simbolismo que este vídeo tem principalmente para pessoas com deficiência auditiva, ela falou em Libras que quem precisou de tradução foi o restante do mundo, na boa, eu nunca ví isso acontecer em lugar nenhum, por isso fiz questão de registrar no nosso canal mesmo que quatro meses depois da gravação do vídeo.



14 de abr de 2019

Extinção dos direitos, fim do CONADE. Damares que vem para o mal


Um duro golpe, desferido contra a causa, na última sexta-feira. O presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto , com a intenção, o propósito de extinguir os conselhos socias, a integrar a Política Nacional de Participação Social.
  Dentre os conselhos afetados, implicados pela medida, está o CONADE. O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Conhecido por sua capilaridade, papel no desenvolvimento no planejamento de políticas públicas, em um sentido amplo.
De acordo com o espírito, o clamor em efetuar uma política nacional para nossa ação. O objetivo de muitos, na longa, luminosa estrada , a reconhecer todos os esforços já empenhados, em favor da inclusão.
Iniciado em 1999, o CONADE tinha um claro vetor de construção objetivada. Era uma política nacional de fomento, ocorrida pelo enlace de iniciativas, políticas setoriais na área da saúde, da educação, da assistência social, com a vinculação direta, destinada ao tema.
 Portanto, um plano precursor, pelo caráter, o propósito de integração. Inovava tanto pela ambição, o alcance que, em 2003, o conselho foi integrado ao governo, e a fazer parte da Secretaria dos Direitos Humanos.   
Acima de tudo, vem junto com o gesto uma prerrogativa de atraso, retrocesso, frente aos direitos adquiridos pela luta. A extinção do CONADE não configura um gesto isolado, de erro cometido em razão da falta de hábito, tino de um governo novo. Cujas propostas atendem ao clamor, o anseio por pautas reformistas.
Quando pensamos em representatividade na pauta, seria razoável ocorrer alguma inferência a competência, ponderação, a quem ocupa um cargo de poder na área. Para a assunção dos temas, rumos, a caracterizarem essa questão .
 Por que o mínimo a ser exigido de um ministro(a) dos Direitos Humanos, em tese, seria uma biografia de competência. Não de declarações temerárias.
O dano causado pela ignorância, os descaminhos proporcionados pelo fundamentalismo ornado, esculpido, pela ausência de  fundamentação. Nenhuma gratificação fecunda o horizonte habitado pelo diálogo, quando o mundo passa a ser habitado pela aridez, a plenitude inverossímil, tramada pelo reino das verdades fundamentais.
Quando defrontada sobre a questão da escola inclusiva, bateu um frio no estômago, diante do posicionamento auferido pela ministra Damares. Segundo ela, os pais das pessoas com deficiência, clamam sim, anseiam pelo direito de educar os seus filhos...Mas em suas casas!!!
Assim, ao invés de elencar estudos, apontar opiniões margeadas pela opinião de especialistas, a objetivar a relevância da escola inclusiva, tem-se algo inédito, insosso. Um ar empesteado, poluído, por suposições e achismos.
Perdoem-me o trocadilho, mas Damares que vem para o mal...
Desta forma, o consenso obtido por educadores, pais de alunos envolvidos com a educação integrada, adquire uma importância inóspita. Um papel coadjuvante, enquanto prepondera uma forma de agir infantilizada, por desconsiderar a razão, não dar crédito aos fatos.
Fake News, pós-verdade, um efeito post morten , sentido na carne, no anseio de quem milita, crê na inclusão.
Uma nau sem rumo, uma nação que há muito parece ter perdido o próprio prumo...
Vida que segue, luta que verve.
Um abraço para todos.
André Nóbrega.



7 de abr de 2019

O plano da ANCINE




         Felizes as memórias construídas, a partir do efeito, da emoção própria, única, vinda das salas de cinema.
         Poder elencar em seu glossário existencial , junto com uma lista de filmes inesquecíveis, um anexo de experiências determinantes.
Já sem o protagonismo de outrora, de arte, patrimônio fundamental do século XX , a sétima arte resiste, nos encanta. É uma fidelidade, em meio ao deserto da vida, ser contagiado por uma história, num oásis oferecido por aquela tela gigante.
Quem pode negar o efeito, o impacto proporcionado pela exibição dos grandes filmes em nosso caminhar, como admirador incontido, inveterado, sensível a essa manifestação artística?
Os cegos, as pessoas com baixa visão, os surdos. Não bastasse a exclusão, no sentido prático, cotidiano, ao qual uma pessoa com deficiência se defronta, há este agravante, de grave incisão na vida, na realidade de quem possui tais características.
Por que a falta de acesso às salas de cinema, museus é uma negação ao sonho. Ao poder essencial de germinamos saberes, diante das experiências acumuladas. Depois de apreciarmos grandes obras, obtemos um escape lúdico, enquanto nos mantemos acesos, vivos, em nossa trajetória.
O acesso universal às salas de cinemas , portanto, possui uma conotação comum, presente ao de um Direito Fundamental, na Constituição Federal de 1988.
 Não por acaso, está elencado, com amplo e merecido destaque na Lei Brasileira de Inclusão. A nossa maior conquista jurídica, em seu Título II-Capítulo IX- fala sobre o’’ direito da pessoa com deficiência à cultura, ao esporte, ao turismo, ao lazer, em igualdade de oportunidades com as demais’’.
Soa quase como ficção, escrita criada a partir de situações estabelecidas em mundo paralelo, fora do Brasil padrão, a parte do país conhecida, preocupada em não nos dar protagonismo. Nem a justa viabilidade.
A ANCINE(Agência Nacional de Cinema) divulgou um cronograma, com o intuito de estabelecer acessibilidade, em mais de 3.200 salas de cinema no país.
Aos poucos, pretende-se adaptar os equipamentos culturais das salas de exibição, para enfim ocorrer o ingresso, a assimilação dos conteúdos audiovisuais.
Será edificante presenciar o êxtase, o gozo refletido no corpo de quem sequer é considerado, levado em conta, pela exibição, o circuito de filmes comerciais. E em sessões permanentes .
Pelo plano de difusão ambicionado pela ANCINE, a partir de 1º de janeiro de 2020, 100% dos filmes deverão ser exibidos com opção de acessibilidade em Libras, audiodescrição, ou legendas descritivas.
Muita torcida, uma enormidade de cautela, pelo cumprimento, a assunção definitiva de um pleito tão ambicioso .
Com as palmas, o peito pronto para ser arrebatado, caso a ideia ganhe corpo, espaço e significados.
Vamos torcer.
Um abraço para todos,
André Nóbrega.




31 de mar de 2019

Encarar o ‘’não’’ como vírgula. Aceitar o ‘’sim’’, com dúvidas


Por que a hora do sim é um descuido do não. Se Vinícius de Moraes afirmou isso, não cabe muita oposição. Palavra de poeta costuma valer mais, ajuda a ressignificar o rumo, o peso das experiências. Com inegável volume, carga de contundência e suavidade .
A experiência existente, pelos poucos amores vividos , obtida com algumas criações esparsas feitas, é bastante tímida, para ocupar alguma expectativa inútil, por comparação. Bom, se hoje tenho em Vinícius como um ídolo, na adolescência o considerava um Deus.
Cabia cada palavra de amor, letra de canção feita, para ajudar com meus primeiros passos, conquistas, digamos, dos dezesseis anos até os trinta. Da estrada , pavimentada por erros, tentativas e trajetória.
Dos 30 em diante a trilha sonora mudou, por completo. A Bossa Nova perdeu um adepto, ganhou, no máximo, um fã distanciado. Ao invés de saudar o mar, o barquinho a navegar, ao fim da tarde, junto com a garota a caminho no mar, vinham um sem fim de questões, bem mais urgentes.
Não mais olhar para os lados. Perder, por muitos anos enquanto me movimentava, na rua, o contato visual com as pessoas. Fundamental me ater, como pré-requisito para evitar quedas, aos buracos da rua.
Para quem possui uma deficiência, saber desviar dos erros é um hábito. Negar o cultivo da resiliência nunca é uma opção. O que não nos eleva, nos coloca a mágica condição dos exemplos.
Aprendemos com as experiências, apenas. A quantidade de negativas faz germinar na carne, junto com a alma, um senso de observação pragmático.
Com menos versos, poesia, uma atitude conjugada, um tanto acostumada ao fenômeno da impermanência. A dor a lhe afligir hoje, depois, vai se atenuar.
Tem sempre na esquina, no futuro, uma possibilidade  de riso, de gozo, pronta, à espreita, doida para nos acolher.
Com o tempo, adquirimos o reflexo necessário para evitarmos acidentes, junto com aquela malícia indispensável, vinda para tirarmos dos instantes alguma escada.
Algum levante possível, pronto para nos elevar.
Tudo muda, sempre.
Uma vantagem inequívoca em fazer 40 anos consiste justamente nisto. Desdramatizar o contexto dos erros, não fazer alarde, festa, desfile com trio elétrico, ao menor contato, com as vitórias surgidas.
Contudo, o leitor de Vinícius a habitar em mim sabe que a tristeza é apenas um intervalo, entre duas felicidades. E também, que há sempre uma mulher à sua espera, com os olhos cheios de carinho...
Apesar do convívio com alguns invernos, o alcance, vislumbre com a primavera aquiesce. Não para uma perspectiva ingênua, órfã , pelo contato insistente com constantes desatinos, abandonos.
Jamais perder a noção da realidade, do infinito hall de mudanças a serem operadas, para a causa.
No entanto, aprender a identificar, na curva e anseio dos asfaltos, a irresistível beleza de certas flores, que teimam, insistem em aparecer. Para mim, para você, a quem treinar o olhar.
Um abraço para todos!
André Nóbrega.   



23 de mar de 2019

Olhar a vida, mesmo em meio a buracos

 Muitas quedas habitam o pós-trauma, a quem, por alguma razão, circunstância, teve o curso da existência alterado. Colidido, graças ao surgimento de uma deficiência física.
 Os instantes ganham um peso excessivo. Infinitas as atitudes tramadas, para a reconfiguração posterior do cotidiano. Primeiro, a depender da gravidade do fato, precisa reconhecer o peso da morte, o gosto de mofo.
Você não é mais a mesma pessoa. Ficam dissolvidos os movimentos, presos numa memória de corpo recente. O tempo como péssima companhia, indigesto conselheiro. A comparação com o passado é indevida. O presente não opera, você nada produz, o seu futuro apenas pressente e aguarda pelo caos.
Dando o devido crédito, importância ao luto, a dor de cada um, ocorre uma resolução arriscada. O olhar esfacelado, desconfia dos espelhos, sobretudo. Nadam conta a corrente vários sonhos seus. Ficam erguidas, distantes, na crista da onda, os acenos comuns, de acúmulo risonho, afetivo.
 Mesmo assim, é preciso ir para a rua, buscar no outro algum indício, uma possibilidade de reconstrução. É um momento camicaze. Com cadeira de rodas o jogo muda, por completo. O asfalto como terreno hostil, o perigo presente, tão próximo dos gestos comuns. Atravessar o sinal, com atenção máxima, cuidado para empregar a força correta. Nunca virar a cadeira.
Desviar das calçadas defeituosas, para depois, quem sabe, ser percebido. Considerado, não pelo objeto que o locomove. Valorize, celebre os lugares onde você será reconhecido, festejado pelo nome.
Foi uma sorte imensa, uma cagada cármica, conseguir encontrar um lugar assim, um ano depois da minha lesão: a Síndrome de Miller Fisher.
É um boteco ao lado da minha casa, à época. Um daqueles famosos perto, a se manterem longe. O místico, transcendental oásis proporcional ao tamanho, a dimensão do deserto, da aridez surgida . Embora morador do Jardim Botânico há 20 anos, pouco conhecia o bar Rebouças.
Foi no espaço democrático, de aceitação ampla de um boteco onde eu consegui reconhecer, identificar fragmentos de uma essência esmigalhada, perdida.
E com gargalhadas, camaradagem, coca-cola sendo servida, aos montes, pelo Jorginho, o melhor garçom do Rio.
E muitos amigos, amigas vindo. Pra ficar, de vez. Criar uma corrente amorosa. Dando gás, tônus para os ganhos físicos adquiridos, e tendo a audácia, o despudor de me alimentar com uma certeza : posso olhar a vida, mesmo em meio a buracos.
Vou fazer quarenta anos, no dia 05 de abril. Logo depois, serão dez  anos ,desde o aparecimento da maldita Síndrome, em maio. Por inúmeras vezes, de forma sofrida, vem um tortuoso cenário. Mania de pensar em como tudo estaria, sem o aparecimento da minha deficiência.
Só não consigo pensar em nenhuma perspectiva, definição de felicidade razoável, sem frequentar esse bar.
O playground raiz, favorito de 9 em cada dez moradores, moradoras da área. A missa favorita, palco de jogos sagrados, piadas tolas, muito amor à disposição. Sempre.
Que perdoem a inconfidência, mas escrever essa coluna me deu uma sede....
Goles de solidariedade,  porres de divertimento, com arroubos de inclusão, me aguardam na Maria Angélica, número 197.
Nos encontramos lá?
Um abraço para todos,
André Nóbrega.



16 de mar de 2019

A primeira turma de pós-graduação, em acessibilidade, da PUC RJ

  
         A secura de ações, empreendimentos planejados em favor da inclusão, por vezes, anexa um gosto amargo à luta. Obstrui o horizonte de quem trabalha pela causa, depende de eventuais benefícios anunciados, e aterra as perspectivas futuras, com um expressão cansada.
 Um ânimo fustigado por tantas promessas de melhora, poucas mudanças sendo operadas, em nossa vida. O peito abriga sonhos, mesmo ainda embrulhado pelo contato cru, opaco de tantas condições desfavoráveis.
A questão da acessibilidade não captura do Estado, do governo, a justa condição de protagonismo. E não nos enganemos. Essa relevância, como efeito, eco de impulso cidadão, determina, conjuga os ganhos, as conquistas por nós almejadas.
Por não esperar muito da administração pública, num sentido coeso, paramentado, sou uma metade de copo cheia, ocupada por água efervescente.
As grandes ações provém de pessoas, de associações, ONG´s cuja valentia, o fulgor nos municiam, de um jeito diferente. De certa forma, o dissabor, a desilusão provocada por uma experiência de exclusão, adquire tempero diferenciado.
Quando somos conclamados a participar, lutar em busca de protagonismo, junto com pessoas qualificadas, muda tudo.  Aquela voz, o impulso primevo militante, o motivo original, cheio de raiva, essencial para nos engajarmos, ganha reverberação. Naturalmente, se multiplica.
A PUC RJ, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, começará agora, em março, a primeira pós em acessibilidade da sua história. É um ganho estupendo, para todos nós.
Quando somos abraçados assim, por uma instituição de ensino superior, são abertos influentes canais de comunicação. Sinuosos artifícios para o debate ficam oferecidos. Fica colocada uma ponte visível, na sociedade e de comum acesso, para a resolução de problemas. Todos ganhamos, um arsenal de ideias, estratégias começa a ser tramado, a envolver quem está(direta e indiretamente) ligado com a questão.
Estudantes de psicologia, militantes, pais de pessoas com deficiência, e toda a competência, o legado institucional de uma universidade reconhecida, tradicional.
Sobrevoará, portanto, por entre os pilotis da Gávea um ar dissonante. Ares de inovação, revestidos pela força inconfundível de uma revolução sendo germinada.
Não existe mudança maior do que a propiciada pelo saber, a troca de conhecimentos, experiências.
Portanto, a primeira turma de pós-graduação em acessibilidade, inclusão, é um claro, flagrante caso de empoderamento, meus amigos.
Aos alunos, professores, toda a primeira ordem de marujos, desbravadores a rumarem por esse mar, esse imenso continente inclusivo, ainda pouco explorado.
Restam vagas para a primeira turma.
Para maiores informações, favor acessar o link:
Ou, entrar em contato, pelo cel:
(21) 97658-6094
Um abraço para todos,
André Nóbrega.



10 de mar de 2019

A hora e a vez de solidificarmos as mudanças



         Você deve ter ouvido, lido em algum livro de autoajuda, sobre o tal ideograma chinês, cuja junção, representa, significa ao mesmo tempo, crise e oportunidade.
         É balela, lenda urbana, propagada em discursos de políticos relevantes, da alcunha de um John Kennedy, e, portanto, incorporado, sem maiores questionamentos, ao nosso cotidiano léxico. Basta uma busca no Google para entender a tal pegadinha.
         Contudo, isso em nada tira, esmorece a verdade contida na ideia. A sabedoria repousada, no seio do conceito, é válida. Ocorre, justamente, nos momentos de maior desespero, aflição cívica, as reações mais extraordinárias, incríveis, ocorridas em reação a momentos de flagelo político, insuficiência social.
         Passamos por um momento de extremo perigo, supressão a vários direitos adquiridos. O exemplo a contabilizar essa afirmação consiste, se afirma, no texto da Reforma da Previdência.
         Quais são os trechos a exigirem maior atenção para nossa causa, dentro daquela que é considerada ‘’a mãe de todas as reformas’’? Em duas situações: uma, na parte auferida ao BPC(Benefício de Prestação Continuada). A outra, condiz com os critérios, os itens para a contabilização do tempo de aposentadoria.
         No tocante ao BPC, predomina, de acordo com a regra imposta pela nova reforma, um outro critério: o do status econômico do próprio pcd. A regra atual transfere o recurso(25% do salário mínimo, equivalente a 249,5 reais por mês) para qualquer pessoa com deficiência, que não consiga trabalhar, não possua uma fonte de renda.
Pela taxação reformadora, o benefício seria transferido somente a quem  tem renda média, computada em família, inferior a 98 mil. Para quem já recebe o rendimento, de acordo com o critério atual(a desconsiderar a enunciação por renda), não serão alterados os benefícios.
As falências do modelo acima proposto: não é incomum encontrar uma família com condições desfavoráveis, baixa qualidade de vida, mesmo tendo ultrapassado o teto computado.
Em uma família numerosa, de classe média baixa, onde os residentes tenham como dependência, força de esteio financeiro apenas a mãe. Os lares regidos, tocados, pelas mães solteiras. Um pedido de prestação continuada, de antemão, será excluído. Uma catalogação impessoal, desumana predominará, devido a imposição pelo valor determinado.
Ter uma deficiência, em muitos casos, é ter uma gasto consagrado, um incômodo cálculo mensal computado. São contas com fisioterapia, com remédios. O impacto causado, devido ao aparecimento súbito de uma lesão, nossa...É exorbitante. Exames, consultas médicas frequentes, o ônus pago, pelo acesso, a opção feita a medicina particular.
Pagamos sempre pela ineficiência do Estado, em suas atribuições elementares.
Outro ponto importante, crucial da proposta diz respeito a aposentadoria por invalidez. O texto da reforma garante os vencimentos integrais, em 100% do salário, somente aos acidentes de trabalho. Ao que o Direito computa, elege como doença profissional, aquelas deficiências contraídas durante o exercício, a prática do seu ofício .
Após a revogação da lei, caso você seja atropelado, virado cadeirante, impactado, devido ao aparecimento de uma lesão neurológica rara, grave, como funcionará?
Somente terá direito a 60 %, do total da aposentadoria. Caso o tempo de contribuição exceda vinte anos, ele terá direito a mais 2%, a cada ano. Portanto, somente com 40 anos de contribuição, terá alcançado o direito a integralidade do próprio salário.
Um panorama delicado, controverso, de clara perda dos direitos adquiridos pela causa.
Diante da iminência de crise, conseguiremos ter força, sabedoria, para crescermos?
Com certeza ! !
A internet é o quinto poder, no país. É o meio pelo qual eleições presidenciais podem ser decididas, pela propagação de fake news. Também poder ser a plataforma essencial, na divulgação premente, indispensável por cidadania.
Enchamos os e-mails dos Deputados Federais votantes, vamos cobri-los com informações, estudos, agora. Enquanto a Reforma ainda não passou.
Vamos, por que ainda dá tempo.
Um abraço para todos!!  
André Nóbrega.





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais visitadas