28 de dez de 2015

Ser diferente é essencial

  Tal como um sistema de pesos e medidas, existe uma proporção entre a falta de acessibilidade nas ruas e as manifestações de solidariedade, apoio e estranheza que eu recebo e sinto nas pessoas. Sempre haverá a pedra portuguesa solta, colocada em nosso caminho. Isso me mantém ligado, e me obriga a sempre ficar alerta. Mas o que falar da reação de espanto que muitas pessoas têm ao nos verem na noite, curtindo uma festa, por exemplo?

   O andador movido por alguém relativamente novo (estou com 36 anos) é uma cena que ainda mexe com os outros. Com a cadeira de rodas, enquanto circulava sozinho, eu absorvia um painel de emoções pesadas dirigidas a mim. Eram olhares sufocantes de pena, daqueles que o desqualificam mesmo.

  Precisava estar atento aos buracos das ruas e surdo para certas insanidades ditas. Eram muitos os comentários abraçados com uma sentença absurda para a minha vida. Na visão desses iluminados, a cadeira de rodas seria uma espécie de cruz. Então, o meu tempo na terra seria conduzido por um sofrimento contínuo, a existência só poderia me levar a um inevitável abismo.

   Fala sério, nunca fui paciente, nem tolerante com quem apresenta miopia afetiva. Ou então, para os casos graves de cegueira intelectual, também conhecida popularmente como burrice.

   Do outro lado,quando eu menos esperava,fui acometido por manifestações de gentileza incomuns. Sabe a boa ação preservada pelo anonimato?O gesto realizado por um rosto estranho ao seu convívio, mas que tem o poder de lhe transmitir uma nova fé para a humanidade?
  
 Também fui coroado por situações assim. Uma vez, sem jeito, cansado de tocar a minha cadeira-sempre fui mais Rubinho Barrichello do que Ayrton Senna- no meio da rua, com o sinal prestes a abrir  , surgiu um senhor,que me conduziu ao outro lado da rua.
  
  Não satisfeito, ele ainda me perguntou se eu precisaria de ajuda para chegar em casa,se prontificou a parar um táxi para mim e me auxiliou a dobrar a cadeira de rodas, e a me acomodar com plena segurança. Somente depois de já estar seguro,dentro do táxi que o senhor prosseguiu com o seu caminho  .

  Como esquecer aquela moça bonita, nova,que ao me ver perdido no shopping veio falar comigo?Ela fez questão de me localizar, e me conduzir até o meu destino.Nossa,quantas saudades da solidariedade dela. Uma pena eu ter perdido o seu telefone.

 O privilégio de passar despercebido me foi tirado faz algum tempo.Para muitos, a deficiência física contraria a ordem,o senso comum dos movidos por verdades absolutas. A consciência obtida com alguns anos de deficiência é que cumpro uma função pedagógica.

 Os motoristas e trocadores das linhas de ônibus que pego com frequência sabem da minha condição. Vou demorar um pouco mais para subir, me acomodar para seguir viagem com segurança e tranquilidade. O que me felicita é que essa percepção, a consciência do tempo a mais necessário que eu tenho para subir para o ônibus poderá ser assimilada pelos motoristas e trocadores das linhas que utilizo mais. Desta forma, o mesmo cuidado, a mesma atenção será transferida para outra pessoa, com uma deficiência similar a minha.

 Enquanto a diferença não se tornar norma, nós seremos acolhidos como seres exóticos, excluídos do padrão que renega as diferenças e move as sociedades. Portanto, nada mais justo que ocupemos o nosso espaço, e não só ao fazermos valer os nossos direitos civis.

 Temos o dever de exercermos uma desobediência comportamental também. Ser deficiente é uma identidade, o que nos define não é a falta daquilo que não temos, mas sim a luta constante, diária a fim de sabermos até onde iremos.
  
O fato de a inclusão ser uma pauta nova preocupa o fato de ainda sentimos um senso de aventura presente às nossas ações mais simples. Andar na rua, ir ao banheiro dos restaurantes são coisas que nos complicam o viver,mas que não podem nos derrubar.

 A solidão, a falta de interação social é um castigo com o qual nós não devemos aceitar impunemente. Maior que o peso das adversidades deve ser a nossa firmeza em exercer uma cidadania plena.

Devagar, com suor, nós vamos evoluir e obtermos muitas vitórias.

Um bom final de ano para todos!


André Nóbrega. 


21 de dez de 2015

Como endurecer sem perder a ternura?

  
Sabe a poesia oferecida por breves momentos do cotidiano?É aquele presente dado pela vida,quando você menos espera.Em meio àquele dia agitado,com mil coisas a realizar, a cabeça operando por um ritmo frenético , e você vai atravessar a rua. Ao olhar para o outro lado, percebe então uma criança pequena rindo para a mãe.

 De súbito, aquele cenário amoroso o inspira,faz com que o frenesi, o barulho das ruas diminuam o impacto sobre você.Vendo o amor materno sendo passado, poder sentir a singela risada de uma criança toda repleta de carinho o faz atravessar as ruas melhor. Efeito similar ocorre com a aparição e o magnético canto de alguns passarinhos. Isso me convoca a brindar à natureza, assim como quando passo na praia e vejo o voo de alguns pássaros.A impressão que tenho é que esses seres alados me presenteiam com um ballet celestial.

 Talvez,uma das maiores brutalidades da deficiência física é obrigá-lo a se manter em um estado de vigilância constante.Para quem usa cadeira de rodas,muletas ou andador, andar nas ruas é algo complicado.A falta de acessibilidade nos obriga a andarmos tensos. Com tantas ruas esburacadas,calçadas incapazes de nos promoverem segurança, qualquer descuido pode redundar em um tombo.E cair, ninguém gosta,né?

  A preocupação em me manter ileso afasta a capacidade de absorver a poesia da vida. Chego ileso das minhas idas à rua, mas por vezes,bate uma aflição.Porque estou condicionado a uma equação desumana.Olhar para os buracos das ruas é um fator mais importante do que notar a aproximação das pessoas.Tem que haver um meio termo.
  
  A deficiência nos obriga a nos fortalecemos. Porém, nem por isso devemos ceder ao apelo da brutalização permanente, presente nas privações com as quais temos que conviver.Por mais desiguais que sejam as condições de trabalho, de mobilidade e opções de lazer,não ceder à ira,não fazer da revolta uma moeda de troca é um desafio.

  Não fiquei míope ao encantamento, nem mudo para não poder relatar a beleza das coisas que presencio.Mudou a forma de perceber a magia dos singelos momentos do dia a dia. Era uma antes da lesão,passou a ser outra agora.Nem por isso,o destino deixou de me fornecer matéria-prima para fazer poesia.

 Ainda que a rotina de todos nós seja prejudicada pela falta de acessibilidade,pela quantidade de ‘’nãos’’ que juntamos para formatar um ensaio de ‘’sim’’, que o caminho não nos deixe insensíveis às belezas da vida.

 Temos uma vida de luta pela frente,um verão para curtirmos,e um 2016 com Paraolimpíadas e a Lei Brasileira de Inclusão para percorrermos.Vamos firmes,com disposição e abertura para aproveitarmos os cantos de musas,os apelos de festa que nos esperam.

  Um bom Natal para todos!


  André Nóbrega. 



13 de dez de 2015

Praia para todos-Um banho de cidadania.


 Ser um deficiente físico no Rio de Janeiro me segrega. A cidade possui uma série de encantos, um sem número de opções culturais que eu não posso visitar. A acessibilidade é uma pauta nova, um assunto que não foi ainda incorporado pelos gestores de lazer daqui.

   Entre as coisas de que fui tolhido de fazer estava o direito sagrado de ir à praia. Como bom carioca, sempre fui chegado a uma tarde com sol, um bom mergulho no mar para aliviar as minhas tensões, me refazer. Passei um bom tempo convencido de que esse prazer havia cessado da minha vida. Pelo menos, assim vivia até conhecer o Praia para Todos, no verão de 2011.

 Naquela manhã de sábado, em janeiro, eu voltei a nascer. O contato com o mar foi algo capaz de brotar uma capacidade adormecida em mim: a de brindar os meus momentos junto com a vida. O que o Praia para Todos faz com uma pessoa com deficiência física, que fica privada de acessar a praia, é algo fabuloso.

 Quando conhecemos o projeto, passamos a frequentar a empreitada, ficamos ensolarados por novas perspectivas. A cada nova ida à praia nós ficamos capturados por um contexto proveitoso. Logo nos contagiamos pelo Praia para Todos, por ele nos comprovar como a inclusão pode se dar com noções práticas de felicidade.

  Sim, porque o nosso ativismo não deve se sustentar somente pela revolta. A vontade de mudar as coisas, de igualar as condições a que estamos sujeitos move muitos dos nossos propósitos e ensejos por mudança. Muitas vezes, o inconformismo com as situações com de abuso, descaso retém o apelo por uma sociedade inserida por valores genuinamente igualitários, com uma inteiração social calcada na gentileza entre as pessoas. Isso tudo é sentido no Praia para Todos, e com folga.

  A partir do dia 19 de dezembro o Praia para Todos voltará. Será feita na praia da Barra da Tijuca uma grande festa de abertura. Para a alegria dos muitos fãs,colaboradores da empreitada, poderemos fazer da ida à praia uma maneira de celebrar à existência.Mais uma vez , o Praia para Todos nos proporcionará um banho de cidadania.

Em breve, escreverei com mais detalhes sobre o Praia para Todos.

Um abraço para todos.


André Nóbrega.



7 de dez de 2015

Das situações inusitadas.


  Nem só de relatos dramáticos vivemos. Se você usa , ou já utilizou a cadeira de rodas por algum tempo, já acumulou em sua biografia certas situações inusitadas .Infelizmente, o roteiro dos eventos aos quais somos obrigados a compor segue no dia a dia uma trajetória improvável .

 Os tombos que tomei no início da minha lesão foram angustiantes. Não me causaram nenhum dano físico, mas , seguramente, algumas quedas me apavoraram . O temor sentido quando assistia aos filmes da série ‘’Sexta-Feira Treze’’, e a ‘’A hora do pesadelo’’ foram acenos suaves quando comparados aos momentos onde saia de casa com a cadeira. E assim passei a desbravar as ruas sozinho.

 Com o passar do tempo deixei de ser tão ruim de roda. Então, manejar o meu batmóvel acessível passou a ser uma aventura .Incorporei uma vocação de Indiana Jones , a disposição de um Rock Balboa ao me defrontar com obstáculos .Pelo menos, assim pensava antes de sair de casa. Em muitas situações, dava preguiça de ser herói e chamava um táxi para chegar aos lugares. Porém, a rejeição sofrida , a falta de vontade dos taxistas era uma regra . Não tenho dados estatísticos avalizados por uma pesquisa oficial . Mesmo assim, de acordo com as minhas andanças,posso lhes garantir: dois em cada dez motoristas não paravam, passavam batidos , ignoravam a minha sinalização.

 Lembro bem dessa época. Nunca rezei tantos Aves Marias,Pais Nossos enquanto esperava por algum taxista generoso, com vocação humanitária e adepto da política da não violência consagrada por Mathama Gandi e Martin Luther King Jr. Demorava até alguém parar. E não dava nem para manifestar alegria, comoção diante do fato . Mal o carro parasse, não era incomum eu ser fulminado pela seguinte pérola, dita pelo motorista do táxi:’’A cadeira vai junto também?’’. 
  
  Lidar com a falta de noção das pessoas é uma ocorrência frequente,incorporada ao nosso cotidiano. Certa vez, enquanto entrava no ônibus , ouvi uma advertência mal criada, disparada por uma indignada senhorinha:’’Mas como deixam você sair sozinho?”  . A minha resposta veio na lata:’’Se a senhora consegue sair sozinha,por que eu não posso?’’. Pela cara feia dela feita existia em seu íntimo uma clara, manifesta vontade de iniciar uma discussão comigo. No entanto, por intromissão da providência divina , ela desceu no ponto seguinte.
  
  Não me esqueço da vez na qual penei para atravessar a minha cadeira em uma rua de Ipanema . Era um local pouco movimentado. Não poderia ,portanto ,contar com a ajuda de alguém que estivesse passando pelo lugar. Na verdade, havia apenas uma mulher naquele momento, meio longe de mim e que falava ao celular. Após atravessar a rua, subir o meio fio e ganhar a calçada, pude ouvir parte da conversa dela:’’Peraí, eu tava vendo um cadeirante atravessar’’.Sei lá, pode ser que, na infância ,a infeliz criatura não tenha frequentado circos. Porque eu me senti um palhaço no picadeiro.
  
  Não sou adepto da filosofia do ‘’rir para não chorar’’. Para muitas pessoas predomina uma intolerância com a diferença. E de acordo com tais seres para lá de evoluídos, tudo que escapa de uma noção de normalidade lhes indigna , e salta aos olhos.
  
  Ainda que a falta de acessibilidade das ruas não nos ofereça segurança, mesmo que nós tenhamos que nos deparar com gente sem o mínimo de bom senso, eu me recuso a mofar em casa. O apelo das ruas é irresistível , ir ao encontro de amigos , me deparar com momentos inusitados me faz lembrar o quanto a vida pode ser múltipla, diversificada e maravilhosa.
  
  Sim, pois nem só de encontros com pessoas destrambelhadas , em plena sintonia com os seus pensamentos preconceituosos nós vivemos. Tem muita gente bacana, muitos momentos marcantes a nos aguardar enquanto andamos pelas ruas. Mas ,se ficarmos no conforto do lar, perderemos tudo isso.

  Um abraço para todos !

  André Nóbrega.

  



30 de nov de 2015

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.


   É preciso validar a importância de algumas datas. Aqui no Brasil, os feriados não ajudam muito a enaltecer os feitos, ressaltar a biografia das figuras históricas, e muito menos debater a repercussão das ações humanitárias promovidas por grandes personagens históricos brasileiros. O reconhecimento de tais figuras nos é passado de uma forma arbitrária. Desde crianças estamos acostumados a fazer trabalhos escolares sobre Tiradentes, cantar músicas meio ridículas no dia do índio e a fazer uma redação burocrática sobre a Proclamação da República.

   Então , quando chega uma data a evocar os feitos de uma figura de relevo para a construção do nosso país, interessa mesmo se vai fazer sol ou não no feriado X. As informações acerca das condições de tráfego nas estradas são a pauta escolhida pela imprensa. Não parece interessante,no que toca aos grandes veículos da mídia, consolidar uma informação consistente para a nossa memória enquanto nação. Afinal, esse era o papel dos incipientes trabalhos exigidos por muitos dos nossos professores.

   Fica enraizado um desapego com a nossa memória, uma falta de orgulho com ações extraordinárias que ajudaram a moldar a trajetória do nosso país. E o pior, não é dada a repercussão merecida a quem milita por causas fundamentais.  Parece então que não precisamos entender a importância de resistência existente na trajetória de Zumbi, nem entender como a brilhante, heroica atuação com que o movimento negro tem ajudado o país a executar uma política mais igualitária. Abdias Nascimento, Sobral Pinto, Glauber Rocha nunca foram tema de nenhuma pesquisa escolar minha. Nenhum feriado foi pensado para lhes homenagear. Porém, o legado desses ícones merecia ser tema de amplo estudo.

  Ainda bem que no dia 03 de dezembro o calendário não nos presenteará com mais um dia de descanso. No Dia Internacional das Pessoas com Deficiência são discutidos temas cruciais para a nossa causa. A chancela da ONU carimba o grau de seriedade que o assunto precisa ter. Através de campanhas de conscientização espalhadas ao redor do mundo, assembleias promovidas em diálogo com entidades do poder público e associações referenciais que lutam pela nossa inclusão, temos uma chance real de atuarmos como agentes responsáveis pelas mudanças futuras.

  A cada ano o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência tem um tema específico. A partir dessa escolha são pautadas as atividades e eventos deste dia. Em 2015 o tema é "A inclusão importa: acesso e capacitação para pessoas de todas as habilidades".

  Porque o protagonismo político é uma ferramenta indispensável para a resolução de nossas reclamações. A mobilização organizada, amplificada pela conversa e consequente ação entre os movimentos que lutam pelos direitos das pessoas com deficiência e o governo estará em pleno destaque. Portanto, no dia 03 de dezembro, devemos acompanhar com atenção ao movimento produzido nas nossas cidades. Seja por ações inclusivas com caráter cultural, ou quando podemos exercer uma função pedagógica virtual, e disseminar conteúdo sobre o assunto pelas redes sociais. O principal, no entanto, é nos inteirarmos sobre os encontros promovidos entre as instâncias do poder e as representações dos movimentos inclusivos e marcarmos presença. Para ouvirmos e participarmos do processo.

   Infelizmente, no Brasil, a cultura do feriado não valoriza a riqueza dos personagens históricos escolhidos. E um país sem apego à própria memória não consolida uma prática de avanço, de melhora com o próprio futuro. O dia 03 de dezembro não determinou os feitos históricos a uma pessoa específica. Nesta data, nós, que somos mais de 45 milhões de pessoa com deficiência no país, precisamos ecoar as nossas demandas. E sempre consolidar um caminho para a mudança que queremos ter.

  Um abraço para todos!

  André Nóbrega.



23 de nov de 2015

A pedagogia da queda



   Existe uma aprendizagem trazida pelos tombos que tomamos. Nessa afirmação não existe nenhuma constatação subjetiva. Falo por experiência própria. Acumulo onze quedas enquanto estive na cadeira de rodas. Contabilizo quedas cinematográficas que não produziram nenhum arranhão, e uma despretensiosa, ocorrida sem fazer barulho. Porém, foi justo nessa queda, justo nesse tombo que precisei me preocupar mais. Por ter imbicado a cadeira, batido a nuca, foi preciso passar no hospital, só para garantir se estava tudo ok.Fiquei bem,e após tanta proximidade com o fato de beijar o chão, sentir a sutileza de tantos nocautes , eu ainda falo: existe uma escola constituída pelas minhas quedas.

   Infelizmente, para quem apresenta uma deficiência física no Brasil e circula por qualquer grande metrópole, há um incômodo quadro que nos é apresentado. A falta de acessibilidade tem um sinistro cartão de visitas. As ruas são mais esburacadas do que a cara de uma múmia com caxumba. Os sinais de trânsito não nos ajudam por estarem adaptados para as pessoas que andam. Portanto, aqueles quatro, cinco segundos a mais nos quais precisamos ter para atravessarmos as ruas não foram levados em conta por quem planejou a engenharia de trânsito.

  Nós somos atingidos com mais contundência pela falta de políticas públicas capazes de prover conforto ao cidadão. O Estado brasileiro é falho em atender as demandas básicas dos seus habitantes. Disso, todos sabem. O que poucas pessoas parecem perceber é que a pessoa com deficiência é mal tratada em alguns direitos mínimos. Porque a quantidade de tombos acumulada nesses meus seis anos como deficiente ocorre por um direito constitucional violado. Aquele a garantir a minha circulação, também conhecido como o direito de ir e vir.

  Bom, ao olhar em retrospecto, constato uma coisa básica. A raiva por ter derrapado da cadeira de rodas inúmeras vezes, o inconformismo de ter caído feito uma jaca com o andador outras tantas, sedimentou a minha vontade de mudar essa situação incômoda. Porque em todo deficiente físico reside a chama de um ativista político em potencial. Não dá para ir às ruas e nos contentarmos com a falta de condições oferecidas para circularmos por onde vivemos.

 Por isso mesmo, podemos transformar esse sentimento de revolta e fixarmos algumas sementes a suscitarem mudanças. O ano de 2016 será referencial para a nossa militância. Além dos Jogos Paraolímpicos, entrará em vigor a Lei Brasileira de Inclusão. Estaremos prontos, atentos para multiplicarmos as nossas vozes e fazermos valer as nossas demandas. E se podemos fazer isso é porque caímos inúmeras vezes antes de chegar aqui. Sigamos mais fortes e sólidos, pois pensar a acessibilidade é um caminho inevitável para qualquer modo futuro de se fazer política. E vamos fazer barulho!

Um abraço para todos!

André Nóbrega.





  

23 de out de 2015

#somostodosteletontos

FUI ''ACONSELHADO'' A FICAR QUIETINHO, MAS....
- Mães de crianças com Paralisia Cerebral e Mielomeningocele, cujos filhos foram rejeitados na dita triagem da AACD e que foram empurrados pra outras instituições, tamos juntos.
- Amigos queridos que receberam alta da AACD, com seus respectivos tratamentos pela metade, tamos juntos.
- Pacientes da AACD que ficam na fila de espera por uma cirurgia pelo SUS, enquanto vê a galera com convênio médico particular passar na sua frente, tamos juntos.
- Funcionários da AACD que trabalhavam sobrecarregados e foram demitidos por alegação de corte orçamentário, mesmo com TELETON todo ano, tamos juntos.
- Galera que entrou pra reabilitação recentemente e não foi selecionado pelo SBT pra aparecer na televisão, por não ser ''exemplo de superação'' suficiente, tamos juntos.
TAMOS JUNTOS, MEUS IRMÃOS, TAMOS JUNTOS!!!
Dudé Vocalista

15 de out de 2015

SER PROFESSOR (A) É: By Maria Gorete Cortez de Assis

Ser PROFESSOR (A)É estar sempre pronto para buscar conhecimentos com vistas a construir;

É dar tudo de sí em prol dos alunos procurando ensiná-los de acordo com suas necessidades;

É trabalhar a diferença para "fazer a diferença" tornando o futuro melhor...

Ser professor (a) é pesquisar constantemente, proporcionando assim, novos conhecimentos para formar novas lideranças;

Com a diversidade, o educador se constrói a cada dia para incluir á todos sem distinção, assim sendo, como os dedos de nossas mãos não são iguais, nossos educandos completam-nos por serem diferentes e são eles, nossos pesquisandos - a razão de criarmos inovadoras ideias - para tornar o ensinoaprendizagem eficaz...

P - Perspectivas que o amanhã será melhor do que o hoje, pois somos capazes de concretizar o ensinoaprendizagem com amor e dedicação;

R - Responsabilidade contínua e inabalável como uma rocha para vencer os desafios;

O - Otimismo e alegria são características que norteiam o interior de todos que educam;

F - Fazer a diferença de forma fidedigna pois afinal, os diferentes se completam e renovam nossos interiores;

E - Ensinar com dignidade lembrando que: “ A educação não semeia em ti, mas faz com que teus frutos cresçam...”

S - Ser sábio porem simples reconhecendo que a humildade é acima de tudo, uma virtude essencial de um bom educador;

S - Saber entender cada aluno dentro de sua singularidade;

O - Oportunidade de servir sempre com disponibilidade, todavia, “ Quem serve com amor recebe em abundãncia...”;

R - Respeitar nossos educandos com a mesma equidade em que desejamos ser respeitados;

A -  Amar sempre, pois só o amor transforma a si mesmo e ao próximo, fazendo por ele o que gostaria que lhe fosse feito...

PARABÉNS QUERIDOS (AS) !!! e obrigada por existirem em minha vida. Com vocês, mais aprendo do que ensino e por isso sou grata acima de tudo á DEUS e cada um.

Maria Gorete Cortez de Assis

9 de out de 2015

INTERNET UNINDO PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Hoje aceitei como meu amigo no facebook uma pessoa de algum lugar do mundo que nem faço ideia de onde seja, pela foto é visível que ele tem algum tipo de deficiência e provavelmente seja um militante como eu.
Fico encantado com as possibilidades que a internet nos oferece, fazer contatos com pessoas que se não fosse este recurso você jamais conseguiria.

21 de set de 2015

DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA



DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

A PRIMAVERA chegou e com ela lindas flores coloridas, doces frutos, céu azul, pássaros multicores fazendo a festa com seus lindos cantos e voando de um lado para outro; o sol ardente com seu abrilhantar de luz...
O verde das florestas que não se faz como no passado toda via, encontra-se opaco e queimado em virtude de tantas transformações da natureza provocadas pelo homem; Os rios e mares com águas que deveriam ser cristalinas correm pela mesma direção e com menos força em função da redução do volume que diminui a cada dia...
Podemos comparar as flores e os frutos como resultado de inesquecíveis e grandes militantes que desde tempos remotos vem trabalhando em prool das pessoas com deficiência e que com esforços empreendidos trouxeram avanços para o segmento. Pessoas essas que as considero como protagonistas de nossa HISTORIA independente de serem com deficiência ou não.
O cantar dos pássaros que voam de lá para cá pode ser comparado com a LUTA incansável dos militantes que entre lagrimas e risos acreditaram que o futuro poderia ser mais ACESSÍVEL...
O céu azul e o sol ardente transfere paz e a certeza de que "Quem luta, por certo vencerá..."; A luz intensa apesar de ardente faz-nos segui-la pois não podemos perder a fé !?!?.
Os mares e rios percorrem em nossas veias como se fosse sangue agitado quando não concordamos com: A inacessibilidade, com o ensino inclusivo que não esta no patamar em que deveria; Com o desrespeito humano e assim sendo a TRANSVERSALIDADE fica esquecida; removem em nossas veias as atitudes impensadas de milhões e milhões de pessoas que não conseguem trabalhar seus interiores e seus comportamentos...
Neste mundão NÓS estamos, inabaláveis como uma rocha e ainda acreditamos que somos seres humanos iguais, capazes de transformar!
Considero que galgamos muito mas ainda há o que melhorar... Não queremos leis, decretos, entre outros, o que precisamos é de ações concretas, pois, o amanha virá e com ele, os cabelos brancos não ocultarão nosso cansaço, nossa imobilidade e/ou qualquer outro tipo de deficiência ...
Pare, pense ! Esse será nosso futuro e para tanto, neste DIA NACIONAL DE LUTA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, seja você um NOVO MILITANTE e ajude-nos a defender os direitos que nos são assegurados, "Juntos podemos fazer a diferença"!
"Nada sobre nós sem nós..."
O verde das matas pode ter mais vigor e ser comparado com nossa esperança que apesar dos pesares, permanece ardentemente como o calor do sol dentro de nós.
Ainda existe tempo basta apenas cumprirmos nossos papéis.
Governantes podem contribuir sem piedade e mudar nossa HISTORIA transformando a POLÍTICA PUBLICA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, da mulher, do negro, da criança e do idoso, enfim, da transversalidade como igualdade, respeitando as diferentes limitações que afinal, todos as temos...
ACESSIBILIDADE é o nosso compromisso, "vamos abraçar esta idéias".

MARIA GORETE CORTEZ DE ASSIS
Atual Presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoas com Deficiência de São Paulo


30 de mai de 2015

Presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência-SP, Maria Gorete Cortez de Assis participa da 3ª Conferência Municipal dos direitos das pessoas com deficiência de São Paulo


No dia 30 de Maio de 2015, a Presidente do Conselho Estadual para Assuntos das Pessoas com Deficiência de São Paulo, Maria Gorete Cortez de Assis, participa da 3ª Conferência Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência de São Paulo.
Na mesa de abertura a Presidente cumprimentou os organizadores do evento e enfatizou a importância dos municípios se articularem no sentido de participarem da Conferência Estadual e posteriormente da 3ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência que acontecera no final de 2015 em Brasilia.
O Presidente do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência - CONADE, Flávio Henrique de Souza também esteve presente e sua fala seguiu a mesma linha, incentivando e motivando os militantes dos direitos das pessoas com deficiência a se organizarem no sentido de ajudar o Brasil a ser um País melhor para todos.

1ª Foto - Maria Gorete no Centro da mesa de abertura falando no microfone e os demais integrantes do lado.
2ª Foto - Flavio Henrique em pé falando no microfone e com sua mão direita segura a correia do seu cão guia.

FOTOS tiradas por Adriane Medrado.

9 de mai de 2015

DIAS DE LÁGRIMAS - DIA DAS MÃES

Foto: Dona Nina na cadeira de rodas com os filhos / Em pé: José Maria, Camilo, Perpétua, João, Laida e Gorete / Agachados: Benedito e Tarcísio / Obs: Falta um filho o Antônio

Em uma manha fria, no corredor do hospital onde a alguns dias a minha sogra ( Dona Nina ) foi internada diretamente na UTI, por consequência de complicações de saúde que vem enfrentando nos últimos sete anos o médico chega para a Gorete ( minha esposa ) e diz: _ Infelizmente as noticias com relação a sua mãe não são boas, ela esta com sérios problemas de saúde que nos impede de tentar qualquer procedimento cirúrgico porque a nossa avaliação é que ela não resistiria, por isso vamos administrar algum medicamento que evite que ela sinta muita dor e só nos resta esperar, não podemos prever o tempo que isso pode levar mas não achamos que ela resistirá por mais de quinze dias.
Fui buscar a Gorete no hospital hoje já que ela passou a noite acompanhando sua mãe no leito do quarto 319 e no carro a caminho de casa ela ligava para seus irmão para dizer o que o médico havia falado e naquele momento eu sentia uma força interior nela que na verdade achávamos que não teria.
Mas, como não ter forças sendo filha de uma mulher tão forte como a Dona Nina que passou por momentos dificílimos, criou seus filhos com dignidade, esperança e fé, muita fé.
As vésperas do dia das mães ouvir de um médico que este pode ser o ultimo dia das mães ao lado da sua mãe não deve ser nada fácil e a mistura de sentimentos que se tem ao ser obrigado a reconhecer que a morte pode ser um descanso ao mesmo tempo que isso representa não ter mais a pessoa amada ao nosso lado.
Peço a Deus que dê forças a Gorete e a todos os seus irmãos neste momento difícil e desejo que a Dona Nina não sofra nesta transição inevitável e triste para todos nós.

7 de mai de 2015

Retrato do artista enquanto espelho, imagem da própria obstinação .





  Por uma teimosia exagerada, tendo a duvidar da maioria dos chamados ‘’exemplos’’ de superação. É comum verificar a tendência automática , taxativa de alguns . Muitos classificam as pessoas com deficiência como sendo fogueiras, fontes geradoras de um brilho incessante. É como se no decorrer da nossa trajetória, assim pesasse uma dupla obrigação.
  
 Além das dificuldades, dos incômodos de precisamos viver nessa sociedade, que com tudo nos dificulta e limita, recaísse sobre os nossos ombros a obrigação de servimos como exemplo. Bom, para quem quiser entrar em contato com histórias inspiradoras, que assine a revista ‘’Seleções’’. Nem sempre nós seguimos a nossa vida em um estado iluminado, como se estivéssemos regidos por uma vocação celestial.
  
  Embora traga muitas reservas a essa visão, não posso deixar de reconhecer o mérito, o brilhantismo de algumas pessoas.  Elas foram fundamentais comigo, justo quando começava a conviver com a minha lesão. Um grande amigo, a quem eu já conhecia, pouco tempo antes de eu conviver com os pesares da minha deficiência , foi, sem dúvidas, decisivo.

  Eu conheci o Daniel Gonçalves em 2007, dois anos antes de eu ser acometido pela Síndrome de Miller Fisher. Erámos ambos alunos calouros do curso de Cinema da Darcy Ribeiro. Enquanto eu estudava roteiro, o Daniel começava na turma de edição e montagem. Ele era um aluno brilhante, sempre motivado, que mesmo tendo paralisia cerebral, conseguia ter uma rotina de vida produtiva, na época quase concluindo a faculdade de comunicação.

   Logo após a minha lesão, quando já tinha condições de sair de casa, interagir, procurar o Daniel me pareceu um movimento lógico. Afinal, ela era e continua sendo uma das minhas referências máximas quando eu penso em superação.  Um legítimo campeão da vontade. A conversa foi rica, serviu mais do que ler muitos livros de autoajuda. A conduta, a atitude do Daniel diante das adversidades por ele enfrentadas me foram inspiradoras.

  Hoje, volto a ter notícias do Daniel, ele sempre teima em agir como uma poderosa engrenagem motivacional. O Daniel busca angariar fundos para o seu primeiro longa-metragem. A ideia do filme surgiu a partir de um curta dirigido por ele, surgido a partir de um concurso do YouTube , onde se premiaria o vídeo mais inspirador .


 O filme ‘’Como Seria’’ tenta elaborar a vida do Daniel sem a paralisia cerebral. Mesmo sem ter ganho o concurso, o vídeo obteve mais de 27 mil visualizações em um ano, além de ter tido franca circulação em prestigiosas publicações destinadas à causa das pessoas com deficiência. O colunista Jairo Marques, da Folha de São Paulo, foi um dos grandes entusiastas da iniciativa.

 .  Agora, o Daniel quer realizar o seu primeiro longa-metragem. E você pode contribuir com este sonho, pode ajudar a dar contornos mais reais ao projeto dele. Através do sistema de crowfunding(vaquinha virtual) você pode destinar recursos para a realização do seu filme . A campanha vai até o dia 05 de julho.

  Conhecendo o criador, não posso esperar da criatura um resultado que, pelo menos, não flerte com a excelência. Se acompanhar a trajetória artística de um amigo é algo especial, poder contribuir para a realização da sua obra nos posiciona como aliados de um caminho reparador.

   Em nossa gama de preferências , gostos e perfil ,  com frequência nos deparamos com a vida de músicos, atletas cuja excepcionalidade dos feitos nos predispõe a querermos conhecer mais sobre a vida deles. Para isso, são criadas as biografias. Com o mesmo intento, documentários são produzidos.

  Porém, são raras as chances de fazermos o caminho inverso. Ou seja, quando a amizade que você mantém com a pessoa o leva a conhecer a sua obra, e o resultado disso ainda impressiona você . Principalmente aqui, ao falar de produtos audiovisuais feitos com rigor, qualidade e excelência. 

 Para quem quiser assistir o curta do filme ‘’Como Seria’’,aqui vai o link de exibição :

E, para quem desejar saber notícias sobre o andamento do projeto, favor acessar a essa página no facebook :

  Já para realizar contribuições ao filme , além de saber mais detalhes sobre a iniciativa, você pode acessar o link :
http://benfeitoria.com/comoseria

  
Um abraço para todos.


André Nóbrega. 

29 de abr de 2015

Acessibilidade lenta como a conexão de uma internet ruim




   

  As facilidades conquistadas pela disseminação da tecnologia são conhecidas. Ninguém questiona a eficácia da internet como meio difusor de informações. Com o uso cada vez mais corrente das chamadas tecnologias móveis, cresce também uma preocupação do mercado. Finalmente, tem se verificado uma necessidade de se universalizar a demanda de serviços. Alguns gigantes do mercado dos Smartphones, por exemplo, começam a enxergar o potencial das pessoas com deficiência como um importante nicho de mercado.

   Bom, de acordo com a lógica a vigorar na ótica capitalista, para um produto vender, ele precisa atender as exigências do público a que ele for destinado. Portanto, para um Smartphone se tornar um item referencial na vida de uma pessoa com deficiência nos membros superiores, o aparato tecnológico precisa estar previamente condicionado, adaptado às necessidades desse consumidor.

   Atento a essa exigência primordial, a de atender com o devido cuidado, a obrigatória atenção que nós devemos ter como cidadãos que também formam um mercado consumidor, a Samsumg vem desenvolvendo um aplicativo, chamado de DOWELL .

   O DOWELL é uma interface que fornece acessos para as funções do celular. Uma vez tendo sido instalado, os usuários conectados a esse serviço poderão, através da porta USB, controlar funções do celular. O programa funciona como uma plataforma de integração entre alguns programas bem específicos já existentes. Se foram criados mouses a enviarem comandos pela cabeça, agora começa a ser viabilizada uma maneira de se operacionalizar tais inventos. A integração, o acesso à tecnologia, com isso, vai se expandir,
 .
  Enquanto o aplicativo não é colocado em prática, nós podemos tirar algumas conclusões. Existem indícios de reconhecimento da nossa luta. Aos poucos, está mudando a percepção da sociedade com relação às nossas demandas.

  As reivindicações atentas aos nossos pedidos seguem um caminho contínuo , mas vagaroso . A velocidade das mudanças geralmente não acompanha a necessidade das nossas solicitações. Pelo texto da lei, o empenho legislativo de figuras como a Deputada Federal Mara Gabrilli e o Senador Romário Faria, a Lei Brasileira de Inclusão será um marco da nossa vida civil. Até os efeitos desse estatuto serem consolidados na nossa vida cotidiana , demorará um tempo, é claro.

   Passados mais de 24 anos da efetivação da Lei de Cotas ainda são discutidas maneiras de como melhorá-la. Vários ajustes, reformas capazes de aperfeiçoar a Lei de Cotas são propostas. No entanto, a validade dessa iniciativa é positiva, por permitir um diálogo da pessoa com deficiência com o mercado profissional.

  Mesmo com todos os revezes que enfrentamos, as condições desiguais enfrentadas, existe a sinalização de um panorama sendo modelado. As mudanças ainda soam tímidas, insuficientes para satisfazer com o mínimo de presteza às nossas necessidades.

 De nada adianta, por exemplo saber da existência da internet se a conexão oferecida é ruim, lenta. A falta de acessibilidade é um desserviço contumaz, pior do que a exclusão digital no mundo contemporâneo. Vivemos castigados pelos dissabores da desigualdade. Isso cansa, enerva, desgasta a gente.  E atenção, Brasil, já passamos da casa dos mais 45 milhões de pessoas desde o CENSO de 2010.

  Porém, devagar, mas firme, vamos ganhando reconhecimento. Em algumas situações, seja por uma constatação do mercado ao nosso potencial consumidor, ou de ações políticas corajosas, advindas de reconhecidos bem feitores da causa .
 
  No entanto, não existe nada que lembre uma ação integrada do governo, a caracterizar a acessibilidade como pilar de uma sociedade mais plena e justa. Mesmo com o Rio de Janeiro sendo a futura sede dos Jogos Paralímpicos de 2016, a cidade não realiza nenhuma grande obra de infraestrutura capaz de melhorar a nossa acessibilidade.

  Ainda assim, creio na transformação.

  Um abraço para todos !


  André Nóbrega. 

25 de abr de 2015

A presidente do CEAPcD, Maria Gorete Cortez de Assis fez um alerta ao Ministro da Secretária Nacional dos Direitos Humanos Pepe Vargas com relação a politica nacional de educação.

Dia 24 de abril de 2015 a presidente do CEAPcD, ( Conselho Estadual para Assuntos das Pessoas com Deficiência de São Paulo ), Maria Gorete Cortez de Assis esteve em Brasília participando do planejamento do CONADE, ( Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência ), na ocasião também participou do evento o ministro da Secretária Nacional dos Direitos Humanos Pepe Vargas.
Como não podia deixar de ser a Gorete fez um alerta ao Ministro com relação a politica nacional de educação.
VEJA O VÍDEO

23 de abr de 2015

A taxa da insignificância


  Desde março deste ano, o shopping Downtown , localizado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, implementou uma regra . De acordo com o novo regimento, as vagas preferenciais, destinadas às pessoas com deficiência, não possuem mais direito à gratuidade. É isso mesmo.

  Ontem, quando estive lá, fui informado disso. Mesmo assim, a simpática mulher do estacionamento resolveu, talvez movida por um sentimento de penar, me ‘’ conceder’’ esse direito, aliviar a barra e não me cobrar nada. Mas que ficasse claro, aquilo valeu somente para ontem. De agora em diante, para cada ida ao shopping, teria agora de pagar pelas vagas especiais.

 Estranho, após sair do carro, era pensar nas indicações de vagas especiais, agora oficializadas a nos prestar um meio serviço. As demarcações visuais das nossas vagas, capazes de serem identificadas de longe, haviam virado o quê? Pelo menos, no Shopping Downtown , passaram a ser representações mentirosas , anúncios fantasiosos de um direito adquirido .Na prática , as vagas são violadas de forma sistemática.

  Por frequentar esse espaço há algum tempo, sei o quanto a administração lá faz pouco caso na fiscalização das nossas vagas. Com um selo falso colocado nos carros, a identificar um veículo condutor de uma pessoa com deficiência, qualquer um pode andar, fazer cambalhotas de alegria após achar uma vaga especial. Na hora do aperto, com o shopping cheio, a cidadania costuma ser atropelada pela malandragem.
  
  Pela lei,o Downtown não praticou nenhuma anomalia . A determinação da gratuidade em locais privados atende a uma vontade dos seus donos. A mudança de orientação ocorreu, a lógica comercial predominou, veio para ficar e nos classificar como mercado. Se fôssemos atendidos como consumidores, tivéssemos as nossas reivindicações atendidas, não haveria problema algum.
  
  O funcionamento básico do estacionamento, se cumprisse com o seu objetivo essencial de cobrir a demanda de vagas, seria o mínimo esperado dentro de uma esfera bem gerenciada. Mas não tem como não duvidar de um estacionamento onde há a imposição vagas especiais junto com a passividade de fiscalizações precárias.
   
  É como se comprássemos uma TV e ela não chegasse à nossa residência. Por mais que tenhamos em mãos a nota fiscal do produto, obtido as condições de pagá-lo corretamente, se não existir garantia na entrega daquele aparelho em nossa casa, existe algo de errado.  

  O mesmo ocorre quando alguma pessoa ocupa uma vaga nossa sem necessidade. Ou seja, quando a vaga especial é ocupada por alguém ‘’ normal’’, sentimos a mesma afronta de alguém que compra por algum produto e não o recebe.

  Ontem, sem receber nenhuma multa, recebi uma boa taxa de insignificância do shopping Downtown . Como se tivesse que pagar agora por um direito que não funciona. Mas, sigamos na luta.

Um abraço para todos!


André Nóbrega.

16 de abr de 2015

Pessoa com deficiência Gourmet 1# - Picanha no sal grosso

Vejam o primeiro vídeo do canal pessoa com deficiência da série Gourmet , nele o Wanderley prepara um assado incrível.

13 de abr de 2015

Todo cadeirante carrega uma enciclopédia dentro de si






   Quem pilota uma cadeira de rodas sabe como é. São muitas as estratégias, as maneiras como precisamos tornar a existência mais possível. Quando o viver é dificultado de forma constante, a resposta para tais situações acontece automaticamente. Porém, não vivemos somente para reagir frente a ameaça provocada por algum obstáculo .
   
   Existe um universo de histórias engraçadas, emocionantes contido na pessoa que conduz uma cadeira de rodas. Para começar , vale lembrar ao leitor andante uma coisa . Temos nome, signo, time de futebol como qualquer outra pessoa. Se fica difícil para você enxergar isso, nos perceber para além do objeto, do meio criado para facilitar a nossa locomoção, eu lamento muito  .
  
  Por favor, falem para as pessoas fugirem um pouco dos estereotípicos clássicos, a nos classificarem como coitados, ou exemplos de superação. Peçam aos outros por um pouco de originalidade, já que a tendência de julgar parece ser um sintoma na rotina de muitos. Pelo menos, vamos colaborar para que evitem cometer alguns lugares comuns .

  Assim sendo, quando alguém perguntar como ficamos assim, o que aconteceu para estarmos em uma cadeira de rodas, vamos contra atacar. Responda diferente à pessoa nova em sua vida, que teima em repetir essas velhas perguntas. De bate pronto, sem hesitação, fale que se trata de uma longa história, e não vale à pena comentar isso agora. 

  Depois, caso você esteja munido com outras intenções, indague você à interessada ouvinte se existe alguma boate maneira ali por perto. Levante o tópico da acessibilidade, ressalte algumas questões relevantes ao assunto. Para começar, que tal mencionar o conceito da balada inclusiva? Será que ela sabe o quanto a cadeira de rodas facilita na hora de dançar forró?
  
  A inclusão não depende só dos esforços feitos pelo governo. É um compromisso de todos, que pode ser efetivado com menos força e cara feia. Existe vida além dos buracos das ruas, conseguimos rir apesar de tantos desafios. Todo o cadeirante carrega dentro de si uma enciclopédia. São muitas vivências acumuladas, temos momentos intensos de drama e comédia, romance e suspense. Às vezes, tudo isso ocorre em um dia só, de uma maneira mais forte do que na rotina de outra pessoa .
    
  Por atravessarmos tantas coisas, nos defrontarmos com situações tão variadas quanto ricas, vamos consolidando um acervo íntimo diferenciado. Temos muitas histórias e lições para compartilharmos. Sem a obrigação de sermos exemplo para ninguém, apenas a constatação do quanto o caminho difícil nos condiciona a mantermos uma existência rica.

  Um abraço para todos,


  André Nóbrega.

Veja estas postagens.

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