18 de jun de 2016

Vai chegar o dia

 Vai chegar o dia em que a palavra acessibilidade estará gasta, vazia devido a linda estrada de militância,que muitos antepassados nossos souberam percorrer.Todos estaremos incluídos,enfim integrados aos espaços.

 Finalmente, o direito de ir e vir estará consagrado. Isso não precisará estar escrito em nenhuma constituição. Nenhuma lei precisará mudar aquele jeito nosso, a maneira de conceber a mais nova e revolucionária cidadania.

 Porque vai chegar o dia onde andarei pelas noites tranquilo.Sem me preocupar com buracos nas ruas, a falta de um transporte público digno,e sinais de trânsito de duração assassina ,a me obrigar a fazer malabarismo no asfalto.
  
 Para cada andador quebrado haverá uma mulher linda, parada na esquina, pronta para me dar carona. Será um ato tão espontâneo, um gesto formatado por tanta gentileza e amor ao próximo, que não estranhem se essa mesma mulher linda quiser viajar comigo. Embarcaremos numa viagem de pura inclusão, rumo a praias desconhecidas na Bahia.

 Vai chegar o dia na qual lembraremos sem saudades daqueles dias. De um tempo confuso,bem distante.Segundo os relatos apresentados pelos livros e filmes,quem apresentasse uma condição física ou mental diferente recebia um nome estranho.Era classificado,reconhecido como deficiente.

 Daí, recordaremos que a falta está longe de ser a chama que nos movimenta. Brindaremos com louvor, orgulho, pois mesmo quando vivíamos encobertos pelo manto da desigualdade, nós mantivemos a vida aquecida.

  E,ao contrário de um mito difundido,comumente espalhado na era das desigualdades, nós, de forma alguma quisemos servir de exemplo para alguém. Ouviremos sem atenção, alegria quando alguém quiser propagar uma lenda urbana, também atribuída a essa temerosa época.
  
  Era comum nos enxergar como coitados. Teria isso a ver com uma crença estúpida. Como se estivéssemos aqui para sofrer, como se adorássemos nos fazer de vítimas das circunstâncias e reclamar de tudo. Como no passado alguém pôde pensar isso da gente?

 Agora, a madrugada que avança chega bem fria,sem me abraçar com grandes possibilidades.

 Vou acordar amanhã sem encontrar nenhum resquício do quadro acima relatado. No entanto, isso não pode minar o desejo por uma sociedade mais justa e igualitária.

 Ainda vai chegar o dia em que as diferenças não vão pesar tanto.

 Fiquemos firmes,fortes em nossa luta.

 Um abraço para todos,


 André Nóbrega.

  

Um comentário:

  1. Sim , um dia todas estas diferenças serão quase imperceptíveis. Estamos trabalhando para isso , desde já. Conheçam o Instituto Abraça

    https://www.youtube.com/results?search_query=instituto+abraca

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