7 de ago de 2016

Todo mundo tem uma Olimpíada na vida



   ‘’Todo mundo tem uma Olimpíada na vida. No final,cada um vai saber se os esforços que fazemos nos tornaram merecedores de ganhar uma medalha de ouro, de prata ou de bronze’’.

  A frase acima foi dita por Walter Casagrande Junior,antes da transmissão do jogo da seleção brasileira feminina de futebol contra a China.O ex-atacante com passagens pela seleção brasileira,eterno ídolo da fiel e um dos líderes da democracia corinthiana,é uma figura muito rica.
   
 Nutro grande simpatia pelo Casão,e não por seus feitos enquanto jogador.Romário,Bebeto e o Ronaldinho fenômeno estão entre os atacantes a quem reverencio.O que distingue o Casagrande é a sua humanidade.

  Somente alguém que superou a angústia,o inferno da dependência química,pode ter a coragem,iniciativa para reconhecer o seu caminho como um percurso de eterna reabilitação.

  É necessária uma humildade incomum,uma clara consciência das suas limitações e compromisso com a possibilidade de recomeçar para ter um posicionamento assim.

 Bom, se antes já admirava o Casa,depois de ouvi-lo dizer essa frase, passei a considerá-lo ainda mais.Porque eu adoro, venero quem diz sim nos contextos de não.
  
 Quem tem uma deficiência luta sempre por um pódio difícil de ser definido, anseia por uma medalha que não chega.Porque às vezes os nossos esforços parecem ficar em vão,o nosso suor não nos conduz a lugar algum.

 Todos os dias nós quebramos recordes invisíveis. Muitas vezes, o simples ato de ir para o trabalho,voltar para casa nos exige um fôlego de maratonista.

  Esse constante diálogo com as dificuldades,esse esforço cotidiano com os obstáculos não nos dá o status de um campeão olímpico.Ser perseverante,focado e ter disciplina para conseguir alcançar os nossos objetivos é um requisito obrigatório.Os patrocínios milionários com marcas esportivas,o tratamento de estrela não serão dádivas comuns ao nosso caminho.

  A nossa Olimpíada está aí,confirmada pela infinidade de barreiras a serem vencidas.As vitórias terão outro tom.Elas serão afinadas com as marcas que conquistaremos ao confirmar a nossa luta.Os reconhecimentos pelos nossos direitos serão o legado ideal,a herança de ouro.Por ela devemos empreender o nosso suor.

  Somos todos atletas no esporte da superação.Nossa história não vai ser marcada pelo valor,a importância das medalhas que conquistaremos,mas pelas contribuições à causa que vamos conseguir deixar.
  
  E cada esforço nosso,toda ação feita em nome da inclusão da pessoa com deficiência vai ter um efeito multiplicador.
  
 Somos 45 milhões de pessoas com possibilidades,desejos e vontade para obtermos muitas vitórias.

  Ao final da sua jornada,quando você se perguntar sobre a sua contribuição dada à causa,em qual lugar do pódio você gostaria de estar?
  
  Precisamos é lutar todos juntos.

 Pois,nesse esporte não contam tanto os feitos individuais.Vale o quadro geral de medalhas, a capacidade que teremos de construir aquilo que talvez seja o maior dos jogos: a consolidação da sonhada sociedade inclusiva.
  
 Sigamos juntos em busca desse objetivo.

  Um abraço para todos,

  André Nóbrega.


2 comentários:

  1. Lindo texto, perfeita analogia. Um dos mais coerentes que já sobre a importância da coletividade na nossa causa. Somos a minoria social do planeta e também, infelizmente, a mais diluída.

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  2. Olá, André! Obrigada por nos trazer vitórias e ao mesmo tempo, uma luta lotada de obstáculos à se ganhar! Beijos!

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