3 de jul de 2016

Somos apenas pessoas,gente.

  Ao longo dos tempos já obtivemos várias classificações, com termos que quando hoje analisados,pareceriam absurdos.Tudo aquilo cujo entendimento foge da denominação padrão,infelizmente,necessitará disso.

 Rotular é preciso,integrar não é pré-requisito.

 É como se uma nomenclatura bem empregada, uma sigla de fácil assimilação pudesse facilitar a quem não possui uma deficiência um entendimento, uma explicação mínima e rasteira do que passamos.
 Aleijado,defeituoso,incapacitado são palavras estrangeiras ao meu cotidiano.Elas em nada traduzem o esforço que efetuo para estudar,trabalhar,e manter com a vida um forte diálogo de participação.
Difícil acreditar que até pouco tempo atrás tais distinções eram empregadas.Pois, acreditem,até a década de 80,essas eram maneiras comuns.E ainda pior,elas faziam parte do vocabulário empregado para nos identificarem.
  Em 1981,houve o Ano Internacional das Pessoas Deficientes,proclamado pelas Nações Unidas. A ação clamou a atenção do mundo para a desigualdade de oportunidades as quais éramos submetidos,visou enaltecer o papel da reabilitação,e o da prevenção de deficiências.
  Devido às repercussões trazidas pela empreitada, o uso da expressão ‘’pessoa deficiente’’ começou a ser usado pela primeira vez. E, assim,foi disseminada,de forma recorrente,a nova alcunha. O termo ‘’pessoa deficiente’’ passou a ser empregado por inúmeros veículos de informação, e ONG´S,entidades políticas compromissadas na luta por nossa inclusão.
  Marco definitivo foi o trazido pela Constituição Federal de 1988, ao intitular a expressão ‘‘pessoas portadoras de deficiência” uma chancela oficial. A iniciativa tinha como objetivo identificar a deficiência como um detalhe da pessoa.Tal expressão passou a encampar todas as leis criadas,as políticas definidas para nos favorecerem.
  Enfim,em 2006,a expressão ‘’pessoa com deficiência’’ foi consagrada pela Convenção sobre os Direitos da Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU). É com certeza uma maneira de se referir a gente muito mais digna,justa do que nos pautar como inválidos,por exemplo.
  Ainda assim,eu teimo,implico com essa determinação imposta. Acho-a adequada para exigir melhoras ,forte quando precisamos requerer e consagrar direitos.
 A sigla pcd é perfeita para constar em manuais sobre normas de acessibilidade, documentos oficiais e decretos leis.No entanto,considero a expressão ‘’pessoa com deficiência’’ um monumento à impessoalidade.
 Temos sim um direito a singularidade, uma vocação de nos expressarmos como sujeitos autônomos, com vontades próprias.
 Perdemos uma grande chance de sermos reconhecidos pelas nossas qualidades,por aquilo que ressoa quando aceitamos essa determinação sem questioná-la.
 São muitas as partes a nos constituírem.Quantos talentos,capacidades nossas ficam enterradas,deixam de virem à tona quando aceitamos ser reconhecidos por uma expressão que ainda nos desqualifica?
 Ao invés de pessoa com deficiência, por favor, me chamem de André.
 Um abraço para todos,
 André Nóbrega.

 



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