21 setembro 2015

DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA



DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

A PRIMAVERA chegou e com ela lindas flores coloridas, doces frutos, céu azul, pássaros multicores fazendo a festa com seus lindos cantos e voando de um lado para outro; o sol ardente com seu abrilhantar de luz...
O verde das florestas que não se faz como no passado toda via, encontra-se opaco e queimado em virtude de tantas transformações da natureza provocadas pelo homem; Os rios e mares com águas que deveriam ser cristalinas correm pela mesma direção e com menos força em função da redução do volume que diminui a cada dia...
Podemos comparar as flores e os frutos como resultado de inesquecíveis e grandes militantes que desde tempos remotos vem trabalhando em prool das pessoas com deficiência e que com esforços empreendidos trouxeram avanços para o segmento. Pessoas essas que as considero como protagonistas de nossa HISTORIA independente de serem com deficiência ou não.
O cantar dos pássaros que voam de lá para cá pode ser comparado com a LUTA incansável dos militantes que entre lagrimas e risos acreditaram que o futuro poderia ser mais ACESSÍVEL...
O céu azul e o sol ardente transfere paz e a certeza de que "Quem luta, por certo vencerá..."; A luz intensa apesar de ardente faz-nos segui-la pois não podemos perder a fé !?!?.
Os mares e rios percorrem em nossas veias como se fosse sangue agitado quando não concordamos com: A inacessibilidade, com o ensino inclusivo que não esta no patamar em que deveria; Com o desrespeito humano e assim sendo a TRANSVERSALIDADE fica esquecida; removem em nossas veias as atitudes impensadas de milhões e milhões de pessoas que não conseguem trabalhar seus interiores e seus comportamentos...
Neste mundão NÓS estamos, inabaláveis como uma rocha e ainda acreditamos que somos seres humanos iguais, capazes de transformar!
Considero que galgamos muito mas ainda há o que melhorar... Não queremos leis, decretos, entre outros, o que precisamos é de ações concretas, pois, o amanha virá e com ele, os cabelos brancos não ocultarão nosso cansaço, nossa imobilidade e/ou qualquer outro tipo de deficiência ...
Pare, pense ! Esse será nosso futuro e para tanto, neste DIA NACIONAL DE LUTA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, seja você um NOVO MILITANTE e ajude-nos a defender os direitos que nos são assegurados, "Juntos podemos fazer a diferença"!
"Nada sobre nós sem nós..."
O verde das matas pode ter mais vigor e ser comparado com nossa esperança que apesar dos pesares, permanece ardentemente como o calor do sol dentro de nós.
Ainda existe tempo basta apenas cumprirmos nossos papéis.
Governantes podem contribuir sem piedade e mudar nossa HISTORIA transformando a POLÍTICA PUBLICA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, da mulher, do negro, da criança e do idoso, enfim, da transversalidade como igualdade, respeitando as diferentes limitações que afinal, todos as temos...
ACESSIBILIDADE é o nosso compromisso, "vamos abraçar esta idéias".

MARIA GORETE CORTEZ DE ASSIS
Atual Presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoas com Deficiência de São Paulo


30 maio 2015

Presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência-SP, Maria Gorete Cortez de Assis participa da 3ª Conferência Municipal dos direitos das pessoas com deficiência de São Paulo


No dia 30 de Maio de 2015, a Presidente do Conselho Estadual para Assuntos das Pessoas com Deficiência de São Paulo, Maria Gorete Cortez de Assis, participa da 3ª Conferência Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência de São Paulo.
Na mesa de abertura a Presidente cumprimentou os organizadores do evento e enfatizou a importância dos municípios se articularem no sentido de participarem da Conferência Estadual e posteriormente da 3ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência que acontecera no final de 2015 em Brasilia.
O Presidente do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência - CONADE, Flávio Henrique de Souza também esteve presente e sua fala seguiu a mesma linha, incentivando e motivando os militantes dos direitos das pessoas com deficiência a se organizarem no sentido de ajudar o Brasil a ser um País melhor para todos.

1ª Foto - Maria Gorete no Centro da mesa de abertura falando no microfone e os demais integrantes do lado.
2ª Foto - Flavio Henrique em pé falando no microfone e com sua mão direita segura a correia do seu cão guia.

FOTOS tiradas por Adriane Medrado.

09 maio 2015

DIAS DE LÁGRIMAS - DIA DAS MÃES

Foto: Dona Nina na cadeira de rodas com os filhos / Em pé: José Maria, Camilo, Perpétua, João, Laida e Gorete / Agachados: Benedito e Tarcísio / Obs: Falta um filho o Antônio

Em uma manha fria, no corredor do hospital onde a alguns dias a minha sogra ( Dona Nina ) foi internada diretamente na UTI, por consequência de complicações de saúde que vem enfrentando nos últimos sete anos o médico chega para a Gorete ( minha esposa ) e diz: _ Infelizmente as noticias com relação a sua mãe não são boas, ela esta com sérios problemas de saúde que nos impede de tentar qualquer procedimento cirúrgico porque a nossa avaliação é que ela não resistiria, por isso vamos administrar algum medicamento que evite que ela sinta muita dor e só nos resta esperar, não podemos prever o tempo que isso pode levar mas não achamos que ela resistirá por mais de quinze dias.
Fui buscar a Gorete no hospital hoje já que ela passou a noite acompanhando sua mãe no leito do quarto 319 e no carro a caminho de casa ela ligava para seus irmão para dizer o que o médico havia falado e naquele momento eu sentia uma força interior nela que na verdade achávamos que não teria.
Mas, como não ter forças sendo filha de uma mulher tão forte como a Dona Nina que passou por momentos dificílimos, criou seus filhos com dignidade, esperança e fé, muita fé.
As vésperas do dia das mães ouvir de um médico que este pode ser o ultimo dia das mães ao lado da sua mãe não deve ser nada fácil e a mistura de sentimentos que se tem ao ser obrigado a reconhecer que a morte pode ser um descanso ao mesmo tempo que isso representa não ter mais a pessoa amada ao nosso lado.
Peço a Deus que dê forças a Gorete e a todos os seus irmãos neste momento difícil e desejo que a Dona Nina não sofra nesta transição inevitável e triste para todos nós.

07 maio 2015

Retrato do artista enquanto espelho, imagem da própria obstinação .





  Por uma teimosia exagerada, tendo a duvidar da maioria dos chamados ‘’exemplos’’ de superação. É comum verificar a tendência automática , taxativa de alguns . Muitos classificam as pessoas com deficiência como sendo fogueiras, fontes geradoras de um brilho incessante. É como se no decorrer da nossa trajetória, assim pesasse uma dupla obrigação.
  
 Além das dificuldades, dos incômodos de precisamos viver nessa sociedade, que com tudo nos dificulta e limita, recaísse sobre os nossos ombros a obrigação de servimos como exemplo. Bom, para quem quiser entrar em contato com histórias inspiradoras, que assine a revista ‘’Seleções’’. Nem sempre nós seguimos a nossa vida em um estado iluminado, como se estivéssemos regidos por uma vocação celestial.
  
  Embora traga muitas reservas a essa visão, não posso deixar de reconhecer o mérito, o brilhantismo de algumas pessoas.  Elas foram fundamentais comigo, justo quando começava a conviver com a minha lesão. Um grande amigo, a quem eu já conhecia, pouco tempo antes de eu conviver com os pesares da minha deficiência , foi, sem dúvidas, decisivo.

  Eu conheci o Daniel Gonçalves em 2007, dois anos antes de eu ser acometido pela Síndrome de Miller Fisher. Erámos ambos alunos calouros do curso de Cinema da Darcy Ribeiro. Enquanto eu estudava roteiro, o Daniel começava na turma de edição e montagem. Ele era um aluno brilhante, sempre motivado, que mesmo tendo paralisia cerebral, conseguia ter uma rotina de vida produtiva, na época quase concluindo a faculdade de comunicação.

   Logo após a minha lesão, quando já tinha condições de sair de casa, interagir, procurar o Daniel me pareceu um movimento lógico. Afinal, ela era e continua sendo uma das minhas referências máximas quando eu penso em superação.  Um legítimo campeão da vontade. A conversa foi rica, serviu mais do que ler muitos livros de autoajuda. A conduta, a atitude do Daniel diante das adversidades por ele enfrentadas me foram inspiradoras.

  Hoje, volto a ter notícias do Daniel, ele sempre teima em agir como uma poderosa engrenagem motivacional. O Daniel busca angariar fundos para o seu primeiro longa-metragem. A ideia do filme surgiu a partir de um curta dirigido por ele, surgido a partir de um concurso do YouTube , onde se premiaria o vídeo mais inspirador .


 O filme ‘’Como Seria’’ tenta elaborar a vida do Daniel sem a paralisia cerebral. Mesmo sem ter ganho o concurso, o vídeo obteve mais de 27 mil visualizações em um ano, além de ter tido franca circulação em prestigiosas publicações destinadas à causa das pessoas com deficiência. O colunista Jairo Marques, da Folha de São Paulo, foi um dos grandes entusiastas da iniciativa.

 .  Agora, o Daniel quer realizar o seu primeiro longa-metragem. E você pode contribuir com este sonho, pode ajudar a dar contornos mais reais ao projeto dele. Através do sistema de crowfunding(vaquinha virtual) você pode destinar recursos para a realização do seu filme . A campanha vai até o dia 05 de julho.

  Conhecendo o criador, não posso esperar da criatura um resultado que, pelo menos, não flerte com a excelência. Se acompanhar a trajetória artística de um amigo é algo especial, poder contribuir para a realização da sua obra nos posiciona como aliados de um caminho reparador.

   Em nossa gama de preferências , gostos e perfil ,  com frequência nos deparamos com a vida de músicos, atletas cuja excepcionalidade dos feitos nos predispõe a querermos conhecer mais sobre a vida deles. Para isso, são criadas as biografias. Com o mesmo intento, documentários são produzidos.

  Porém, são raras as chances de fazermos o caminho inverso. Ou seja, quando a amizade que você mantém com a pessoa o leva a conhecer a sua obra, e o resultado disso ainda impressiona você . Principalmente aqui, ao falar de produtos audiovisuais feitos com rigor, qualidade e excelência. 

 Para quem quiser assistir o curta do filme ‘’Como Seria’’,aqui vai o link de exibição :

E, para quem desejar saber notícias sobre o andamento do projeto, favor acessar a essa página no facebook :

  Já para realizar contribuições ao filme , além de saber mais detalhes sobre a iniciativa, você pode acessar o link :
http://benfeitoria.com/comoseria

  
Um abraço para todos.


André Nóbrega. 

29 abril 2015

Acessibilidade lenta como a conexão de uma internet ruim




   

  As facilidades conquistadas pela disseminação da tecnologia são conhecidas. Ninguém questiona a eficácia da internet como meio difusor de informações. Com o uso cada vez mais corrente das chamadas tecnologias móveis, cresce também uma preocupação do mercado. Finalmente, tem se verificado uma necessidade de se universalizar a demanda de serviços. Alguns gigantes do mercado dos Smartphones, por exemplo, começam a enxergar o potencial das pessoas com deficiência como um importante nicho de mercado.

   Bom, de acordo com a lógica a vigorar na ótica capitalista, para um produto vender, ele precisa atender as exigências do público a que ele for destinado. Portanto, para um Smartphone se tornar um item referencial na vida de uma pessoa com deficiência nos membros superiores, o aparato tecnológico precisa estar previamente condicionado, adaptado às necessidades desse consumidor.

   Atento a essa exigência primordial, a de atender com o devido cuidado, a obrigatória atenção que nós devemos ter como cidadãos que também formam um mercado consumidor, a Samsumg vem desenvolvendo um aplicativo, chamado de DOWELL .

   O DOWELL é uma interface que fornece acessos para as funções do celular. Uma vez tendo sido instalado, os usuários conectados a esse serviço poderão, através da porta USB, controlar funções do celular. O programa funciona como uma plataforma de integração entre alguns programas bem específicos já existentes. Se foram criados mouses a enviarem comandos pela cabeça, agora começa a ser viabilizada uma maneira de se operacionalizar tais inventos. A integração, o acesso à tecnologia, com isso, vai se expandir,
 .
  Enquanto o aplicativo não é colocado em prática, nós podemos tirar algumas conclusões. Existem indícios de reconhecimento da nossa luta. Aos poucos, está mudando a percepção da sociedade com relação às nossas demandas.

  As reivindicações atentas aos nossos pedidos seguem um caminho contínuo , mas vagaroso . A velocidade das mudanças geralmente não acompanha a necessidade das nossas solicitações. Pelo texto da lei, o empenho legislativo de figuras como a Deputada Federal Mara Gabrilli e o Senador Romário Faria, a Lei Brasileira de Inclusão será um marco da nossa vida civil. Até os efeitos desse estatuto serem consolidados na nossa vida cotidiana , demorará um tempo, é claro.

   Passados mais de 24 anos da efetivação da Lei de Cotas ainda são discutidas maneiras de como melhorá-la. Vários ajustes, reformas capazes de aperfeiçoar a Lei de Cotas são propostas. No entanto, a validade dessa iniciativa é positiva, por permitir um diálogo da pessoa com deficiência com o mercado profissional.

  Mesmo com todos os revezes que enfrentamos, as condições desiguais enfrentadas, existe a sinalização de um panorama sendo modelado. As mudanças ainda soam tímidas, insuficientes para satisfazer com o mínimo de presteza às nossas necessidades.

 De nada adianta, por exemplo saber da existência da internet se a conexão oferecida é ruim, lenta. A falta de acessibilidade é um desserviço contumaz, pior do que a exclusão digital no mundo contemporâneo. Vivemos castigados pelos dissabores da desigualdade. Isso cansa, enerva, desgasta a gente.  E atenção, Brasil, já passamos da casa dos mais 45 milhões de pessoas desde o CENSO de 2010.

  Porém, devagar, mas firme, vamos ganhando reconhecimento. Em algumas situações, seja por uma constatação do mercado ao nosso potencial consumidor, ou de ações políticas corajosas, advindas de reconhecidos bem feitores da causa .
 
  No entanto, não existe nada que lembre uma ação integrada do governo, a caracterizar a acessibilidade como pilar de uma sociedade mais plena e justa. Mesmo com o Rio de Janeiro sendo a futura sede dos Jogos Paralímpicos de 2016, a cidade não realiza nenhuma grande obra de infraestrutura capaz de melhorar a nossa acessibilidade.

  Ainda assim, creio na transformação.

  Um abraço para todos !


  André Nóbrega. 

25 abril 2015

A presidente do CEAPcD, Maria Gorete Cortez de Assis fez um alerta ao Ministro da Secretária Nacional dos Direitos Humanos Pepe Vargas com relação a politica nacional de educação.

Dia 24 de abril de 2015 a presidente do CEAPcD, ( Conselho Estadual para Assuntos das Pessoas com Deficiência de São Paulo ), Maria Gorete Cortez de Assis esteve em Brasília participando do planejamento do CONADE, ( Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência ), na ocasião também participou do evento o ministro da Secretária Nacional dos Direitos Humanos Pepe Vargas.
Como não podia deixar de ser a Gorete fez um alerta ao Ministro com relação a politica nacional de educação.
VEJA O VÍDEO

23 abril 2015

A taxa da insignificância


  Desde março deste ano, o shopping Downtown , localizado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, implementou uma regra . De acordo com o novo regimento, as vagas preferenciais, destinadas às pessoas com deficiência, não possuem mais direito à gratuidade. É isso mesmo.

  Ontem, quando estive lá, fui informado disso. Mesmo assim, a simpática mulher do estacionamento resolveu, talvez movida por um sentimento de penar, me ‘’ conceder’’ esse direito, aliviar a barra e não me cobrar nada. Mas que ficasse claro, aquilo valeu somente para ontem. De agora em diante, para cada ida ao shopping, teria agora de pagar pelas vagas especiais.

 Estranho, após sair do carro, era pensar nas indicações de vagas especiais, agora oficializadas a nos prestar um meio serviço. As demarcações visuais das nossas vagas, capazes de serem identificadas de longe, haviam virado o quê? Pelo menos, no Shopping Downtown , passaram a ser representações mentirosas , anúncios fantasiosos de um direito adquirido .Na prática , as vagas são violadas de forma sistemática.

  Por frequentar esse espaço há algum tempo, sei o quanto a administração lá faz pouco caso na fiscalização das nossas vagas. Com um selo falso colocado nos carros, a identificar um veículo condutor de uma pessoa com deficiência, qualquer um pode andar, fazer cambalhotas de alegria após achar uma vaga especial. Na hora do aperto, com o shopping cheio, a cidadania costuma ser atropelada pela malandragem.
  
  Pela lei,o Downtown não praticou nenhuma anomalia . A determinação da gratuidade em locais privados atende a uma vontade dos seus donos. A mudança de orientação ocorreu, a lógica comercial predominou, veio para ficar e nos classificar como mercado. Se fôssemos atendidos como consumidores, tivéssemos as nossas reivindicações atendidas, não haveria problema algum.
  
  O funcionamento básico do estacionamento, se cumprisse com o seu objetivo essencial de cobrir a demanda de vagas, seria o mínimo esperado dentro de uma esfera bem gerenciada. Mas não tem como não duvidar de um estacionamento onde há a imposição vagas especiais junto com a passividade de fiscalizações precárias.
   
  É como se comprássemos uma TV e ela não chegasse à nossa residência. Por mais que tenhamos em mãos a nota fiscal do produto, obtido as condições de pagá-lo corretamente, se não existir garantia na entrega daquele aparelho em nossa casa, existe algo de errado.  

  O mesmo ocorre quando alguma pessoa ocupa uma vaga nossa sem necessidade. Ou seja, quando a vaga especial é ocupada por alguém ‘’ normal’’, sentimos a mesma afronta de alguém que compra por algum produto e não o recebe.

  Ontem, sem receber nenhuma multa, recebi uma boa taxa de insignificância do shopping Downtown . Como se tivesse que pagar agora por um direito que não funciona. Mas, sigamos na luta.

Um abraço para todos!


André Nóbrega.

16 abril 2015

Pessoa com deficiência Gourmet 1# - Picanha no sal grosso

Vejam o primeiro vídeo do canal pessoa com deficiência da série Gourmet , nele o Wanderley prepara um assado incrível.

13 abril 2015

Todo cadeirante carrega uma enciclopédia dentro de si






   Quem pilota uma cadeira de rodas sabe como é. São muitas as estratégias, as maneiras como precisamos tornar a existência mais possível. Quando o viver é dificultado de forma constante, a resposta para tais situações acontece automaticamente. Porém, não vivemos somente para reagir frente a ameaça provocada por algum obstáculo .
   
   Existe um universo de histórias engraçadas, emocionantes contido na pessoa que conduz uma cadeira de rodas. Para começar , vale lembrar ao leitor andante uma coisa . Temos nome, signo, time de futebol como qualquer outra pessoa. Se fica difícil para você enxergar isso, nos perceber para além do objeto, do meio criado para facilitar a nossa locomoção, eu lamento muito  .
  
  Por favor, falem para as pessoas fugirem um pouco dos estereotípicos clássicos, a nos classificarem como coitados, ou exemplos de superação. Peçam aos outros por um pouco de originalidade, já que a tendência de julgar parece ser um sintoma na rotina de muitos. Pelo menos, vamos colaborar para que evitem cometer alguns lugares comuns .

  Assim sendo, quando alguém perguntar como ficamos assim, o que aconteceu para estarmos em uma cadeira de rodas, vamos contra atacar. Responda diferente à pessoa nova em sua vida, que teima em repetir essas velhas perguntas. De bate pronto, sem hesitação, fale que se trata de uma longa história, e não vale à pena comentar isso agora. 

  Depois, caso você esteja munido com outras intenções, indague você à interessada ouvinte se existe alguma boate maneira ali por perto. Levante o tópico da acessibilidade, ressalte algumas questões relevantes ao assunto. Para começar, que tal mencionar o conceito da balada inclusiva? Será que ela sabe o quanto a cadeira de rodas facilita na hora de dançar forró?
  
  A inclusão não depende só dos esforços feitos pelo governo. É um compromisso de todos, que pode ser efetivado com menos força e cara feia. Existe vida além dos buracos das ruas, conseguimos rir apesar de tantos desafios. Todo o cadeirante carrega dentro de si uma enciclopédia. São muitas vivências acumuladas, temos momentos intensos de drama e comédia, romance e suspense. Às vezes, tudo isso ocorre em um dia só, de uma maneira mais forte do que na rotina de outra pessoa .
    
  Por atravessarmos tantas coisas, nos defrontarmos com situações tão variadas quanto ricas, vamos consolidando um acervo íntimo diferenciado. Temos muitas histórias e lições para compartilharmos. Sem a obrigação de sermos exemplo para ninguém, apenas a constatação do quanto o caminho difícil nos condiciona a mantermos uma existência rica.

  Um abraço para todos,


  André Nóbrega.

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